Declaração que Powell não deu enfurece Virgílio

Uma declaração que o secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, teria dado durante entrevista a jovens de todo o mundo realizada pela MTV - depois desmentida - causou mal-estar e a reação do governo brasileiro. O secretário-geral da Presidência da República, ministro Arthur Virgílio, reagiu com indignação. Segundo ele, Powell teria dito que "o governo usa o dinheiro com o que não deveria gastar", ao responder a uma pergunta sobre o combate da pobreza."É uma declaração tola, inconseqüente, de quem não conhece o País", afirmou Virgílio, ressaltando ele próprio, no entanto, que era difícil acreditar que Powell tivesse realmente feito esse comentário. "Será que não houve erro na tradução?", perguntou o ministro, ao mesmo tempo em que atacava as declarações que ele não sabia se tinham sido dadas.Mais tarde, o Departamento de Estado americano emitiu nota esclarecendo que o secretário de Estado não se referiu ao Brasil, mas sim à Coréia do Norte.Inicialmente imaginou-se que o governo citado seria o do Brasil, pois Powell respondia à pergunta da relações públicas brasileira Fernanda Bastos, de 24 anos. Ela questionara Powell sobre a razão de o governo norte-americano enfatizar mais a luta contra o terrorismo do que contra a pobreza, citando os "50 milhões de brasileiros que vivem na miséria". A resposta de Powell: - Você tem toda a razão, procuramos ajudar com alimentos (...) mas o problema é que o governo usa o dinheiro com o que não deveria gastar". No início da resposta, Powell citava a Coréia do Norte.Ainda ser saber do esclarecimento do Departamento de Estado, Arthur Virgílio disse que só quem não conhece o Brasil e o esforço feito pelo governo para combater a pobreza é que faz uma "declaração tola como essa". "Foi uma análise superficial para algo que merece uma análise profunda", protestou. O ministro disse que o escândalo enfrentado pelas autoridades norte-americanas com a falência fraudulenta da Enron deveria levar Colin Powell a avaliar o peso de suas palavras. "Deveria ter levado em conta que em nenhum momento partiu de nosso País insinuações sobre o envolvimento de autoridades americanas no esquema", defendeu.

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