Decisão sobre repórter do NYT é destaque na imprensa

O Brasil está hoje em boa parte dos jornais de todo o mundo com a notícia da cassação do visto de permanência no País do jornalista Larry Rother, autor da reportagem publicada no The New York Times do último domingo, onde ele menciona um suposto exagero do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no consumo de bebidas alcóolicas. Rother está fora do País e, quando voltar, terá oito dias para arrumar as malas. O jornal americano não quis comentar a decisão. Segundo o Jornal da Globo, da Rede Globo, "o Brasil não está em convulsão interna, não está lutando contra inimigos externos, não sofreu atentados e nem ataques, e possui uma democracia sólida e funcionando para expulsar um jornalista estrangeiro por ter feito críticas ao nosso chefe de Estado." A reação foi comum em todos os noticiários noturnos da televisão, após a divulgação da nota do Palácio do Planalto comunicando a decisão.Imagem danificadaPara o líder do PFL na Câmara, José Carlos Aleluia, a decisão do governo traz graves prejuízos à imagem do Brasil no exterior. "Se apresentará com a imagem de uma república arbitrária. capaz de promover censura à imprensa internacional. É pior do que a matéria publicada no Nem York Times", disse o parlamentar baiano. Para o presidente nacional da OAB, Roberto Buzatto, nem mesmo durante os 21 anos do regime militar ocorreu algo semelhante. "Eu não me lembro, nem na época da ditadura, que o governo tenha expulsado um jornalista, porque a cassação do visto de permanência significa uma expulsão do País. Não tenho notícia de que isso existiu, mesmo no tempo do obscurantismo neste País." Para a organização Repórteres Sem Fronteiras, a medida servirá para incluir o Brasil na lista dos países que desrespeitam a liberdade de imprensa.Genoino sai em defesaJá o presidente nacional do PT, José Genoino, também ouvido pela Rede Globo, a reação do governo à matéria do NYT foi na medida certa. "Você não pode aceitar atingir a Presidência da República, com repercussão na imagem do País lá fora, sem nenhuma reação. O País não podia ficar calado, este País tem de ser respeitado. O mundo civilizado age assim, os países agem assim. Nós não estamos ferindo a liberdade de imprensa; nós estamos respeitando a liberdade de imprensa."Ontem, na reunião que teve com os jornalistas que o acompanharão em sua visita à China, no final do mês, o presidente Lula disse que não comentaria a matéria do NYT, que classificou como "uma sandice". Mas acrescentou que o repórter americano deveria estar mais preocupado do que ele. Pouco depois, o Palácio do Planalto divulgava a nota sobre a punição ao repórter.

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