Decisão sobre o espaço do PT no governo é de Lula, diz Marta

A ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy, membro do Diretório Nacional do PT, disse neste sábado que a discussão sobre a diminuição do espaço do PT no governo, durante o segundo mandato do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, deve ser feita pelo partido, porém a decisão final é prerrogativa do presidente.Segundo ela, Lula está bastante calmo a respeito da questão e essa postura é importante para que ele possa costurar uma base de apoio ao governo, em torno de programas e projetos."O partido tem de se posicionar da forma que achar mais adequada, e essa reunião é para isso", afirmou, pouco antes de participar da reunião do Diretório Nacional, na capital paulista. "Mas quem decide é o presidente", reiterou, lembrando que Lula está costurando alianças importantes programáticas, que dão governabilidade. "O PT terá seu espaço, com certeza, porque o presidente é petista", afirmou.Marta disse não saber se o partido está pressionando o presidente Lula por cargos e destacou que não recebeu nenhum convite para assumir ministério. "Isso é prerrogativa do presidente. Precisa haver um convite para que eu possa aceitar ou negar um cargo", respondeu, ao ser indagada sobre se aceitaria eventual convite.Presidência do PTSegundo Marta, há um consenso dentro do partido para que o Congresso do PT seja antecipado do segundo para o primeiro semestre do ano que vem. E revelou que a permanência do presidente licenciado do PT, deputado reeleito Ricardo Berzoini ,na presidência do PT não deve ser debatida no encontro deste fim de semana. "O que vai ser discutido é a antecipação do encontro do ano que vem. Para o resto, ainda há tempo, Não estamos ansiosos para que haja uma decisão sobre isso. Não precisa ser hoje, nem daqui dois meses", finalizou. Berzoini voltou a dizer neste sábado, na reunião do Diretório Nacional, que se sente à vontade para voltar a presidir o partido. Mas ressaltou que, quando se licenciou, estabeleceu como condição para sua volta a conclusão das investigações sobre o caso do dossiê contra tucanos, nas quais o nome do deputado foi diversas vezes citado. "Eu já disse, e a condição permanece a mesma. Quando sentir que for o momento de voltar, tenho direito estatutário e vou apresentar meu pedido ao partido. Mas, infelizmente, as investigações ainda não foram concluídas", afirmou.O presidente licenciado negou ser contra a antecipação do Congresso do partido, que tem o poder de alterar o mandato da direção do PT. "É uma discussão não apenas do meu mandato, mas de toda a direção do partido", afirmou. "Não há constrangimento nenhum de minha parte que o Congresso do PT discuta a presidência no ano que vem", completou.O deputado destacou que apóia plenamente a atuação do atual presidente do partido, Marco Aurélio Garcia. "Ele tem tido um comportamento exemplar, ético e correto", elogiou. Na avaliação de Berzoini, o PT deve defender o cumprimento do programa de governo o mais rápido possível e com a maior amplitude que possa ser alcançada. Para isso, segundo ele, é necessário construir uma aliança com outros partidos que dê sustentabilidade às decisões parlamentares e do Executivo. "Tem de ser um relacionamento direto e aberto com todos os partidos que sustentam o governo. Coalizão é isso", disse.

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