Decisão sobre freira levará anos, diz advogado

O advogado Miguel Nicolau Júnior, que defende a irmã Anilse Terezinha Bianchini, 58 anos, acusada de intermediar adoções ilegais, maus-tratos contra crianças e coação a testemunhas, em Guarapuava (PR), acredita que a decisão do julgamento sairá somente em "dois ou três anos". O ato começou esta semana, com a irmã sendo ouvida pela juíza substituta da 1ª Vara Criminal, Flávia da Costa Vianna Teixeira. Como já tinha feito no inquérito, a irmã admitiu a intermediação de três adoções irregulares. Segundo o advogado, ela sabia que a adoção precisava passar pelo Fórum, mas como havia ameaça de morte às crianças, entregou-as diretamente aos pais adotivos. Eles também respondem a processo. "Não há nada que diga que tenha recebido qualquer vantagem", afirmou Nicolau Jr. "Entrou em choque o aspecto legal com o humanitário." À juíza, ela negou as acusações de maus-tratos às crianças da Creche Santa Terezinha, que dirigia, e de coação às testemunhas, que a levou à prisão preventiva. A defesa vai insistir na tese de que o único crime foi a entrega das crianças aos casais. "São casais de boa índole e que ainda estão com as crianças", justificou o advogado. Com isso, a irmã pode ser condenada a prisão de um a quatro anos, que pode ser transformada em pena alternativa. Somente no fim do mês, a juíza deverá começar a ouvir as 18 testemunhas de acusação contra os oito indiciados. Depois, deverá ser marcada nova data para ouvir as testemunhas de defesa. Com os depoimentos em mãos, os advogados de defesa e o Ministério Público, autor das denúncias, farão suas alegações, por escrito. A partir desses dados, a Justiça decidirá. A irmã Anilse Terezinha Bianchini, 58 anos, continua internada no Hospital Nossa Senhora de Belém. O laudo médico aponta que ela não precisa mais de atendimento hospitalar, mas a juíza, que está atendendo a oito comarcas, ainda não o apreciou. Os advogados estão pedindo a revogação da prisão preventiva da irmã, alegando que "todos são tidos como inocentes até que haja julgamento", além de mostrar que ela tem domicílio conhecido e bons antecedentes. Presa preventivamente em 24 de junho, ela foi transferida para o hospital no dia seguinte, por orientação médica.

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