Decisão sobre caça sai em agosto

Aeronáutica já concluiu análise técnica e formato da divulgação está sendo ajustado entre Planalto e ministério

Roberto Godoy, O Estadao de S.Paulo

23 de julho de 2009 | 00h00

A decisão sobre a escolha do novo caça de alta tecnologia destinado a reequipar os esquadrões de elite da Força Aérea Brasileira (FAB), um negócio estimado em 2,2 bilhões, será anunciada na segunda quinzena de agosto. A encomenda prevê o fornecimento de 36 aviões. O processo de seleção, conhecido como F-X2, chegou ao fim envolvendo três supersônicos, o americano F-18 E/F, o francês Rafale C e o sueco Gripen NG. De acordo com fontes da Aeronáutica, cada um deles, conforme suas características, é capaz de cumprir a missão pretendida. Segundo o ministro da Defesa, Nelson Jobim, "a escolha se dará por meio de critérios sofisticados, como seja a transferência irrestrita de conhecimento sensível".O Comando da Aeronáutica já concluiu a análise técnica. O formato da divulgação ainda está sendo ajustado entre o Palácio do Planalto e o Ministério da Defesa. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve convocar o Conselho Nacional de Defesa, formado pelos presidentes do Senado e da Câmara, ministros, comandantes militares e representante do Gabinete de Segurança Institucional.A formalização, antes do dia 7 de setembro - e com distância razoável da data nacional -, é vista como protocolarmente necessária à diplomacia. O presidente da França, Nikolas Sarkozy, vai assistir, em Brasília, ao desfile comemorativo dos 187 anos da Independência. Este é o ano da França no Brasil.A indicação do novo caça não encerra o processo. Resta à Aeronáutica escolher o sistema de armas - bombas e mísseis muito modernos para provimento de 36 aviões. O custo dessa fase da empreitada começa em 1 bilhão e pode superar a faixa de 2 bilhões, conforme as especificações das cargas de combate. Atualmente a FAB emprega mísseis brasileiros Piranha e israelenses Phyton. Está investindo cerca de R$ 100 milhões no desenvolvimento de uma arma de médio alcance, o A-Darter, em cooperação com a África do Sul.Os grupos de superioridade aérea que serão criados a partir do advento da nova geração de caças vão exigir sistemas mais sofisticados, como o Apache, míssil de cruzeiro de várias denominações, padrão na Europa, com alcance entre 120 quilômetros e 300 quilômetros. Ou ainda bombas inteligentes de até 900 quilos com capacidade para atingir os alvos, depois de um voo planado de até 30 km, com precisão de oito metros.O objetivo do programa F-X2 é definir uma plataforma única para as tarefas de superioridade aérea - como a conquista e a preservação do espaço - e de interdição de operações ilícitas ou de um inimigo. Na prática, significa que toda a frota de ataque da aviação militar será substituída pelo que resultar da seleção. A aeronave vai substituir os Mirage 2000C/B (a desativação começa em 2015), os F-5EM (entram em desmobilização ao longo de 2021) e bombardeiros leves AMX (por volta de 2023). No total, a projeção envolve entre 120 e 150 novos aviões produzidos até 2025.O Comando da Aeronáutica está mantendo a transferência de tecnologia como um dos focos do programa, "de forma a capacitar o parque industrial nacional e também permitir um nível de participação efetiva em futuros avanços durante o ciclo de vida do equipamento escolhido", afirmou o brigadeiro Juniti Saito, comandante da Força. O projeto de construção de um caça próprio de 5ª geração faz parte de um planejamento de longo prazo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.