Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Bastidores: Planalto tenta se afastar de derrota de Alcolumbre e fala em 'alívio' por veto a Maia

Presidente do Senado é considerado fiel aliado do governo e foi impedido pelo Supremo Tribunal Federal de tentar a reeleição

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2020 | 11h27

BRASÍLIA - Após sofrer uma derrota com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de não permitir a reeleição de Davi Alcolumbre (DEM-AP) no Senado, o governo tenta emplacar o discurso de que está aliviado. O Palácio do Planalto fez todos os movimentos para impedir a recondução de Rodrigo Maia (DEM-RJ) na Câmara, mas tentou emplacar um novo mandato de Alcolumbre, seu fiel aliado. O ministro Kassio Nunes Marques, único indicado de Jair Bolsonaro na Corte, votou nessa direção, expondo o jogo palaciano. Ao final, porém, o STF barrou a possibilidade para os dois parlamentares.

Interlocutores do presidente, no entanto, agora tentam afastar de Bolsonaro essa derrota e dizer que o fato de Maia ter sido impedido, por si só, é motivo de comemoração. O deputado do DEM é visto como um adversário político. Porém, diferentemente de Maia, Alcolumbre chegou ao comando do Senado em 2019 com ajuda do Palácio, em uma articulação feita pelo então ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, deslocado para o Cidadania.

Desde então, o presidente do Senado tem feito parcerias importantes com o governo, barrando pautas incômodas e acelerando o que interessa a Bolsonaro. Também agiu nos últimos meses para evitar que o Conselho de Ética abra processo de cassação contra o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente, acusado de comandar um esquema de "rachadinha" na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Sem Alcolumbre no páreo, o Planalto ainda avalia como ficará o xadrez político para evitar que um adversário assuma o comando do Senado.


A ideia é de que não haja manifestações sobre a decisão do STF, sob a justificativa de que este não é assunto do Executivo e qualquer opinião pode ajudar a criar polêmica sobre o assunto, considerada desnecessária, nesse momento.


A perspectiva é de que, passadas as eleições municipais e a eleição das presidências da Câmara e do Senado, deverá haver uma acomodação de forças no governo. Bolsonaro, que se aproximou do Centrão nos últimos meses, aposta no eleição de Arthur Lira (Progressistas-AL) no lugar de Maia. A dúvida é se terá força para derrotar um nome escolhido pelo atual presidente da Casa.


Já no Senado, a disputa começará do zero. Com a saída de Alcolumbre do jogo, embora o Planalto ainda não tenha dado sinal do caminho que vá seguir, alguns nomes estão colocados na disputa: Eduardo Gomes (MDB-TO), líder do governo na Casa, Simone Tebet (MDB-MS), Eduardo Braga (MDB-AM), Esperidião Amim (PP-SC) e até Major Olímpio (PSL-SP), que tinha se colocado como contraponto a Alcolumbre.

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