'Decisão do TSE será justa ou retorno do coronelismo', diz Lago

Processo de cassação contra governador do MA deve entrar na pauta de julgamento do TSE na sessão desta 3ª

Wilson Lima, especial para O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2008 | 15h55

Prestes a ter seu processo de cassação julgado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, sob a acusação de abuso de poder econômico e de autoridade nas eleições de 2006, o governador do Maranhão, Jackson Lago (PDT), afirmou nesta terça-feira que o resultado da ação movida contra será "um ato justo ou retorno do coronelismo". O processo de cassação contra Lago deve entrar na pauta de julgamento do TSE na sessão desta terça-feira à noite. Em entrevista concedida nesta terça-feira pela manhã a duas rádios de São Luís, voltou classificar o processo de cassação como uma manobra política do grupo Sarney. A ação contra ele foi movida pela coligação "Maranhão a Força do Povo", formada pelo então PFL, PMDB, PTB e PV e que tinha como cabeça de chapa a senadora Roseana Sarney, derrotada nas eleições de 2006. "Nós temos plena confiança. O Brasil hoje é outro. O país é outro. Não tem nada a ver com aquelas manobras. Essa fase passou. Hoje nós temos aí os olhos da nação, os olhos do país estão lá cravados para saber se a decisão vai ser justa ou se a decisão vai ser o retorno do coronelismo, o retorno da corrupção; de forma que eu não tenho dúvida nenhuma. O Brasil evoluiu, o país é outro e vamos ter justiça hoje à noite", disse Lago. Tentando demonstrar tranqüilidade, Jackson disse que pretende acompanhar o julgamento do TSE pela TV, no Palácio dos Leões, sede do governo do Maranhão. "Eu estou tranqüilo, estou com a tranqüilidade de quem só tem feito o bem, de quem tem mostrado para que chegamos ao governo e eu tenho certeza que hoje à noite o Tribunal Superior Eleitoral vai dizer sim à dignidade, vai dizer sim ao trabalho e não vai 'contestar' qualquer farsa desta oligarquia que pretende retornar ao poder através de manobras", assinalou. Manifestações Após a notícia de que o processo de cassação estava na pauta do TSE, Jackson Lago recebeu várias manifestações de apoio de políticos e de movimentos populares, como o Movimento Sem Terra (MST) e a Via Campesina, por exemplo. Há oito dias, um grupo de agricultores liderados pelo MST montou um acampamento em frente ao Palácio dos Leões, denominado "Acampamento Balaiada" (em alusão a uma revolta popular maranhense ocorrida no século XIX), como forma de prestar solidariedade ao governador. Segundo o MST, o movimento conseguiu reunir aproximadamente 1.200 agricultores. Na segunda-feira, na segunda maior cidade do Maranhão, Imperatriz, partidários do governador realizaram, na segunda-feira à tarde, uma passeata pelas ruas da cidade exigindo a manutenção dos mandados do governador e do vice Luís Carlos Porto (PPS). Porto é natural de Imperatriz. E, em São Luís, um encontro do PSDB, serviu como ato de desagravo ao governador Jackson Lago.  Lago é acusado pela coligação "Maranhão a Força do Povo" de ser o principal beneficiário pelo uso eleitoreiro de convênios e transferências de cerca de R$ 280 milhões para 156 municípios maranhense durante a campanha de 2006. Na época, o Maranhão era governado por José Reinaldo Tavares (PSB), que apoiou publicamente a candidatura de Lago. E o parecer do Ministério Público Eleitoral é pela cassação de Lago. Nesse caso, a senadora Roseana Sarney teria direito a assumir o governo do Maranhão.

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