Decisão do PSDB de unificar discurso pró-impeachment não surpreende governo

Ministro da Justiça afirma que ‘não há justa causa' para o impedimento da presidente; ele critica o partido da oposição citando o fato de tucanos terem lutado contra a ditadura

Vera Rosa e Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo

11 de dezembro de 2015 | 03h00

BRASÍLIA - A decisão do PSDB de unificar o discurso em favor do impeachment não surpreendeu o governo. Para auxiliares da presidente, está claro que os tucanos querem dar “um golpe” para tirar Dilma do cargo. “O governo tem interesse em que esse processo seja julgado rapidamente, mas a lei e a Constituição precisam ser respeitadas”, afirmou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. “Não se pode pacificar o País fora da lei e da Constituição e não há qualquer justa causa para o impeachment.”

O titular da Justiça considera que “não há nenhuma novidade” na decisão do PSDB. Segundo ele, “desde o anúncio das eleições, eles (os tucanos) buscam reverter o resultados das urnas das mais variadas formas”. “A novidade é que pessoas que lutaram contra a ditadura parece que agora acreditam que a melhor saída para o País é uma medida que afronta a Constituição e os mais elementares princípios democráticos.”

Vista. De imediato, o governo está preocupado com a possibilidade de o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes empurrar para fevereiro a tramitação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Próximo ao PSDB, Mendes sinalizou a intenção de pedir vista na ação que questiona o rito do afastamento, causando apreensão no Palácio do Planalto, que trabalha para se livrar o mais rápido possível desse processo.

Cardozo não quis comentar a possibilidade Mendes pedir vista do processo, sob a alegação de que não pode emitir opiniões sobre hipóteses. Mas a ameaça foi vista por auxiliares da presidente como “o pior dos mundos”. 

Um dia após conversa entre Dilma e o vice Michel Temer, a desconfiança permanece no Planalto. Embora tenham estabelecido um pacto de civilidade para consumo externo, nos bastidores uma guerra fria movimenta o governo. Temer vai se encontrar nesta sexta-feira, 11, com Mendes, em São Paulo, em inauguração de uma filial de um instituto do qual o ministro é sócio. Para interlocutores de Dilma, o vice adotou uma agenda de quem defende a deposição. 

Na quarta-feira, 9, depois de um diálogo formal com a presidente de 50 minutos, Temer circulou com desenvoltura em um jantar de confraternização na casa do líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE). Não foram poucos os convidados que observaram a satisfação do vice. “Ele está pronto para assumir, se necessário for”, disse o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES).

A estratégia acertada no Planalto, porém, consiste em não alimentar as divergências entre Dilma e Temer. “Sem nenhum tipo de otimismo falso, não vejo estremecimento”, disse o ministro Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo). Para Dilma, não há muito a fazer para recompor a aliança. 

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