Decisão de não divulgar pesquisas foi unânime, diz Ipea

A decisão do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) de não divulgar pesquisas antes das eleições foi tomada de forma unânime, disse nesta sexta-feira, 17, o presidente do órgão, Sergei Soares. Ontem, o Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, informou que uma decisão inédita tomada pela direção do Ipea proibiu a publicação de estudos realizados pelos pesquisadores envolvendo dados públicos divulgados entre julho e o fim das eleições presidenciais e gerou uma crise interna. O diretor de Estudos e Políticas Sociais, Herton Araújo, colocou seu cargo à disposição por discordar da decisão da cúpula do instituto.

IDIANA TOMAZELLI, Estadão Conteúdo

17 de outubro de 2014 | 15h37

"Houve uma decisão da diretoria colegiada em agosto deste ano de que a gente publicaria apenas publicações com data de lançamento regular, como boletins. As demais publicações, a gente faria com calendário de lançamento depois das eleições. A diretoria do Ipea é 100% da casa e extremamente diversa do ponto de vista ideológico. Eu não pergunto em quem as pessoas vão votar lá", disse Soares, antes de proferir palestra em evento no Rio.

Segundo o presidente do Ipea, Araújo estava há pelo menos 12 anos no instituto, mas assumiu a diretoria havia pouco mais de um mês. Por discordar da decisão tomada em reunião anterior à sua posse, ele solicitou a reabertura da discussão. Mais uma vez, votou-se por manter a determinação, e Araújo pediu exoneração, descreveu Soares. "Não foi orientação do governo, foi uma decisão nossa", frisou.

A reunião de agosto foi a primeira de Soares como presidente do Ipea. O ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Marcelo Neri, não participou de nenhum desses encontros, assegurou Soares. Neri era presidente do Ipea até maio deste ano, e a SAE é a pasta à qual o instituto é subordinado.

"Nos reunimos pra ver o que se faria com essa legislação eleitoral, uma legislação bastante draconiana, e a interpretação da AGU (Advocacia Geral da União) também é bastante draconiana. Discutimos, houve uma série de idas e vindas, e se determinou que nós manteríamos as publicações que tinham datas regulares, ou seja, boletins. Para não ficar decidindo se essa vai, aquela não vai, a gente basicamente determinou que todas as outras publicações nós seguraríamos até depois das eleições", detalhou Soares.

De acordo com o presidente do Ipea, a legislação eleitoral impede até mesmo que o diretor que colocou seu cargo à disposição tenha seu pedido de exoneração encaminhado.

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