Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Decisão de deixar Lula ir a enterro causou 'perplexidade' entre militares

Após Dias Toffoli acolher parte do pedido de Lula para ir a velório do irmão, auxiliares do presidente se preocupavam com operacionalidade da viagem

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2019 | 15h47

Causou enorme “perplexidade” entre militares das Forças Armadas a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, que acolheu parte do pedido da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, autorizando que ele se deslocasse a uma unidade militar na região do ABC, em São Paulo, para se encontrar com familiares por causa da morte do seu irmão, Genival Inácio da Silva, o Vavá. A surpresa veio seguida de alívio com a decisão do próprio Lula de não ir a São Paulo, mesmo depois do enterro ter sido realizado. 

A linha de ação que estava sendo desenhada no governo era de que Lula fosse levado de Curitiba para a Base Aérea de Guarulhos, que é uma unidade militar, onde se reuniria com familiares. Seria um voo ponto a ponto, sem necessidade de uso de helicópteros, que dependeriam ainda de condições climáticas, o que tornaria a operação militar mais simples e com menos risco. Encerrado o encontro, Lula retornaria a Curitiba. 

O presidente Jair Bolsonaro, que reassumiu o comando do País na manhã desta quarta-feira, 30, foi informado assim que saiu a decisão de Toffoli e ficou preocupado com a operacionalidade da ação. Antes de anunciar a decisão, o ministro Dias Toffoli falou com os ministros da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, e da Justiça, Sérgio Moro. O objetivo era verificar como a operação poderia ser desencadeada. A decisão de uso de unidade militar para Lula se reunir com familiares foi do próprio Toffoli.

No Palácio do Planalto, auxiliares do presidente se preocupavam com o tumulto que a possibilidade de a família de Lula ir para uma unidade militar no ABC paulista e com possíveis manifestações na porta de quartel. Com o desenho de usar a Base Aérea de Guarulhos – costurado entre os Ministérios da Defesa e da Justiça, a quem a Polícia Federal está subordinada –, a preocupação diminuiu. 

Havia um receio entre os militares de uma reação do próprio pessoal da caserna, com a utilização de um quartel para o que chamaram de “regalia” que estaria sendo concedida a um preso. Um oficial-general lembrou que o procedimento é complexo, tem altos custos e poderia gerar revolta até mesmo entre militares porque estariam usando suas instalações. Outro general lembrou a tentativa de, no ano passado, quando Lula foi preso, e interlocutores do ex-presidente procuraram chefes milites para que ele passasse a ficar preso em um quartel e não na Polícia Federal.

A justificativa de Toffoli, de acordo com fontes, para usar unidade militar para o encontro de Lula com parentes, era buscar um lugar menos vulnerável. 

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