Decapitação foi ordenada por oficial, revela tenente

Por muito tempo, o Exército sustentou a versão de que o ato de decepar cabeças de guerrilheiros era obra de sertanejos ignorantes, que atuavam como guias e não entendiam as "ordens" dos oficiais. Essa versão está em vários livros e reportagens publicados nos últimos anos sobre a guerrilha e sobre as decapitações, no decorrer de 1973, de Arildo Valadão, Jaime Petit e Adriano Fonseca Filho.O tenente da reserva José Vargas Jiménez relatou ao Estado que Valadão teve a cabeça cortada por um militar, que respondia a ordens de um superior hierárquico. Procurado pela reportagem, o Exército não se manifestou sobre o assunto.Relatório da Marinha revelado em 1993 pelo então ministro da Justiça, Maurício Corrêa, informa que Arildo foi morto em 24 de novembro de 1973.José Vargas Jiménez relata que o guerrilheiro foi morto por um segundo sargento que servia no Amapá antes de chegar ao sul do Pará."Como não tinha fotos nem a relação de nomes dos guerrilheiros, não conseguiu identificá-lo. Recebeu então ordens pelo rádio transmissor para que o decapitasse e lhe cortasse as mãos, para posterior identificação e reconhecimento pelo rosto e impressões digitais", conta Jiménez. "Assim o fez, colocando tudo num saco de plástico e de estopa, que foi levado para a base de operações de combate em Bacaba." Como observou o jornalista Elio Gaspari no livro A Ditadura Escancarada, a degola do cangaço chegava ao Araguaia.

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