Debate na Câmara acaba em insultos

Os dois principais candidatos à presidência da Câmara protagonizaram hoje uma troca deinsultos ao final do debate promovido pela Rede CBN com os cinco deputados quedisputam o cargo. Ao ser provocado pelo candidato pefelista Inocêncio Oliveira (PE)de que queria ganhar no "tapetão", o candidato tucano Aécio Neves (MG) mudou o tomdo evento, até então tranqüilo. "A sua biografia poderia ser intitulada de ´Anatomiade um renegado", ironizou Aécio, alegando que não sabia se respondia ao outrora maisfiel líder do governo ou ao novo líder radical da oposição. "O senhor ofereceugasolina e carros à bancada gaúcha", retrucou Inocêncio, que depois chegou a pedirdesculpas em público ao tucano pela acusação.O debate foi ao ar pela manhã, com a presença também dos outros três candidatos aocargo, Aloízio Mercadante (PT-SP), Valdemar Costa Neto (PL-SP) e Nelson Marquezelli(PTB-SP). À exceção da troca de farpas ocorrida no final do debate, durante uma horae quarenta minutos os cinco candidatos desfiaram suas promessas e plataformas decampanha. A maior parte dos ouvintes, contudo, não têm participação na eleição daCâmara, o que levou Marquezelli a propor novo debate, desta vez na própria Câmara nodia 13, véspera da eleição. "Esse debate não tem nenhuma interferência na eleição daCâmara", admitiu o deputado Aloízio Mercadante. Disputando os mesmos votos da base governista, Inocêncio e Aécio aproveitaram odebate para atacarem um ao outro. Inocêncio acusou Aécio de obstruir as sessões daCâmara, atendendo à estratégia do governo que não queria correr o risco de veraprovada a proposta de emenda constitucional (PEC) que regulamenta as medidasprovisórias. "Me passa a impressão de que o senhor quer ser o candidato único, dotapetão", provocou Inocêncio. "Ele deixou de sonhar com o PT e está tendo pesadeloscomigo", insinuou Aécio, que depois cobrou de Inocêncio a acusação de ter oferecidocarro e gasolina a deputados da bancada do gaúcha. "Isso não aconteceu em nenhummomento, de maneira nenhuma", afirmou o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS).IndependênciaDurante o debate, os candidatos desfiaram suas plataformas,evidenciando um ponto comum: todos se declararam defensores da independência doParlamento com relação ao governo federal. Outra palavra de ordem proferida por cadadeputado foi prometer, caso seja eleito, levar à votação a PEC que limita a ediçãode MPs. A proposta está sendo alvo de obstrução das bancadas governistas, incluindoo PSDB, na convocação extraordinária.Candidato avulso pelo PTB - partido que apóia oficialmente Aécio Neves -, o deputadoNelson Marquezelli distribuiu elogios não apenas ao candidato tucano, mas também aocandidato do PFL. Inocêncio chegou a perguntar o que o petebista tinha achado de suagestão na presidência da Câmara, entre 1993 e 1994. "Pelo que vi, o senhor foi umdos melhores presidentes, mais democrático: até quando tivemos confrontos o senhoragiu corretamente", elogiou Marquezelli. Mais tarde, dirigiu-se a Aécio com umcarinhoso "amigo", elogiando a proposta do tucano de instalar a comissão deorçamento no início do ano legislativo.Livre para questionar as promessas de autonomia e independência dos candidatos dabase de sustentação do governo, o líder petista Aloízio Mercadante acusou Inocêncioe Aécio de terem responsabilidade direta pela subordinação do Legislativo aoExecutivo, citando que 82% das proposições votadas no Congresso durante os seis anosde governo FHC são de iniciativa do Palácio do Planalto. Nesse período, acrescentouo petista, Fernando Henrique editou e reeditou 3.752 medidas provisórias."O povo brasileiro está cansado de olhar o Parlamento e não encontrar resposta aseus problemas", cobrou Mercadante. "O Congresso não pode é continuar tendo umpresidente da Câmara que se curva ao Executivo." As críticas de Mercadante foramreforçadas pelo candidato do PL. "SE a Câmara não trabalha é porque o governo nãodeixa, e não deixa porque o Congresso não é independente", sustentou Valdemar, quenão deixou de dar uma alfinetada no presidente Fernando Henrique Cardoso, quandoindagado sobre a perseguição que o governo teria exercido sobre ele, nos últimosanos. "Fernando Henrique não tem tempo de perseguir ninguém, porque está sempreviajando", ironizou.

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