Debate foi 'maior sacrifício da vida', diz Weslian Roriz

Escorada no slogan de que trará de volta a Brasília "o jeito Roriz de governar", Weslian Roriz (PSC) quer mostrar que tem também o mesmo "DNA Roriz" de fazer campanha. "Eu enfrentei o maior sacrifício da minha vida", disse ela, em discurso em Luziânia, a 60 quilômetros de Brasília, ao relatar a experiência no debate entre os candidatos ao governo do Distrito Federal, na Rede Globo, realizado ontem. "Parecia que eu estava indo para a forca defender o meu marido. É muito cruel o que estão fazendo com ele", disse Weslian, substituta de Roriz, barrado pela Lei da Ficha Limpa.

CAROL PIRES, Agência Estado

29 de setembro de 2010 | 18h46

Pouco articulada, Weslian foi vítima de si mesma no debate. Sem a oratória e a desenvoltura do marido, ex-governador por quatro mandatos, ainda assim tentou incorporar o "jeito Roriz de debater". Nos momentos que sentiu-se acuada, caiu com um "tudo tem sua hora e vamos fazer" - mesmo subterfúgio usado por Roriz quando não quer se comprometer ou não encontra respostas.

Orientada pela campanha do marido, também adotou estratégia de criticar o PT, principal partido adversário da campanha do PSC, sem precisar polarizar o debate com Agnelo Queiroz, candidato líder nas pesquisas. Em duas ofensivas, ela se reportou ao candidato Toninho do PSOL, ex-petista.

Apesar de ter dito no horário eleitoral que Weslian seria "teleguiada" pelo marido caso eleita, no encontro nos estúdios da Rede Globo Toninho foi mais afável: "Eu não faço crítica ao fato da senhora estar aqui substituindo Joaquim Roriz, esse não é o problema. O nosso problema são as divergências que temos sobre os projetos para o DF", disse.

"Ao mirar no Toninho ela tem a intenção de, como o Roriz fez nos debates passados, achar um interlocutor que é educado, não vai agredir ninguém. Roriz também só perguntava ao Toninho nos debates que participou", avaliou a mulher do ex-petista, a candidata a deputada distrital Maninha (PSOL).

Aborto

Católica fervorosa, Weslian também partiu para cima do PT, acusando o partido de defender o aborto - uma das principais censuras feitas pelo ex-governador ao partido que ajudou a fundar em Goiás, em 1986. Na última entrevista como candidato, Roriz havia dito que Agnelo é ex-comunista, que comunistas não acreditam em Deus e por isso são a favor do aborto.

Weslian chegou ao debate com a mesma fala do marido e, ansiosa para usá-la, acabou inquirindo o adversário no espaço em que deveria responder sobre políticas para o transporte público na cidade. "Eu gostaria de dizer o senhor o seguinte: o senhor foi do Partido Comunista, que não acredita em Deus, e agora está no PT. O senhor é a favor ou contra o aborto?"

A pergunta, que na hora soou como mais um erro da candidata, fez Agnelo recuar no bloco seguinte, usando um dos seus espaços para esclarecer que era cristão e contrário ao aborto.

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