Debate em Salvador é marcado por críticas ao prefeito

Candidatos que estão na liderança nas pesquisas de intenção de voto evitaram confronto direto

Tiago Décimo - O Estado de S. Paulo,

03 Outubro 2012 | 13h00

SALVADOR - Sem que os candidatos que lideram as pesquisas eleitorais em Salvador, Nelson Pelegrino (PT) e ACM Neto (DEM), pudessem se confrontar diretamente, por causa do formato do programa e da ordem sorteada para perguntas e respostas, o debate promovido na noite de hoje (terça-feira) pela TV Aratu, afiliada do SBT na Bahia, foi marcado pelas críticas ao prefeito João Henrique Carneiro (PP) e à tentativa dos dois candidatos de atrelar o adversário à atual administração municipal.

As críticas partiram de todos os seis candidatos que participaram do encontro. Mário Kertész (PMDB), terceiro nas pesquisas - mais de 20% atrás dos dois primeiros -, por exemplo, chamou a gestão João Henrique de "desastre". "A cidade está afundada por causa dos oito ano do desastre chamado João Henrique", afirmou.

Kertész ainda acusou o prefeito de tentar aprovar na Câmara as contas da prefeitura de anos anteriores, rejeitadas pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), atrelando sua votação à apresentação de outros projetos.

O candidato do PSOL, Hamilton Assis, disse que a cidade "se rendeu às máfias dos empreiteiros e do transporte público". Para Pelegrino, o problema que Salvador enfrentou nos últimos anos foi "falta de comando, falta de gestão".

Diante dos ataques à atual administração, os candidatos do PT e do DEM tentaram atribuir um ao outro maior participação na gestão municipal nos últimos anos, lembrando que o PT apoiou, no segundo turno, a primeira eleição do João Henrique, à época pelo PDT, em 2004, e o DEM integrou a lista de aliados do atual prefeito, também no segundo turno, na reeleição, em 2008, quando estava no PMDB.

"Salvador toda sabe que João Henrique apoia o candidato ACM Neto", alegou Pelegrino, apesar de o prefeito, que tem altos índices de rejeição, ter declarado neutralidade. "O candidato do DEM não faz nenhuma crítica ao governo João Henrique, quer atribuir ao governo do Estado (comandado pelo petista Jaques Wagner) todos os problemas da prefeitura."

Kertész fez coro. "Essa coisa sua (Neto) com João Henrique, essa relação escondida está muito mal explicada, está parecendo coisa de amante", disse. Neto rebateu, lembrando que o partido do prefeito, o PP, integra a coligação liderada por Pelegrino.

No restante do tempo, os candidatos fizeram promessas, em especial para as áreas de mobilidade urbana, saúde e segurança, o que deixou o clima morno e irritou Kertész. "O debate nesse formato, com esse pouco tempo para falar, deveria ser político, não ficar nessa baboseira de propostas feitas por marqueteiros."

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