Debate é polarizado por Serra e Haddad, diz analista

O analista político e especialista em campanhas eleitorais Sidney Kuntz avaliou que o debate entre os candidatos à Prefeitura de São Paulo promovido pelo Estadão/TV Cultura/YouTube na noite de ontem evidenciou uma polarização entre os candidatos do PSDB, José Serra, e o do PT, Fernando Haddad, na disputa pelo segundo lugar nas pesquisas de intenções de votos. "É como se eles tivessem um consenso de que (Celso) Russomanno (PRB) já estaria garantido no segundo turno e não vale a pena bater nele", analisou.

GUILHERME WALTENBERG, Agência Estado

18 de setembro de 2012 | 00h21

Para Kuntz, os dois candidatos "perderam a chance" de trazer ao embate temas polêmicos que envolveram o candidato do PRB nas últimas semanas. "Ao invés de se discutir propostas para chegarem os dois ao segundo turno, está se discutindo quem vai chegar lá com o primeiro lugar (Russomanno). Nada de polêmico do que foi dito sobre ele (Russomanno) nos últimos dias foi trazido ao debate", afirmou o analista político.

Do outro lado, o candidato Celso Russomanno usou a tática de "evitar o confronto", evitando responder diretamente as perguntas. "Ele não quer responder, sabe que se responder logo vem a tréplica. Ele não quer de jeito nenhum (o embate). É uma fórmula antiga que os candidatos adotam quando estão na liderança. Ficam em cima de propostas para evitar desgaste."

A ex-prefeita Marta Suplicy foi um dos alvos do tucano José Serra, na avaliação de Kuntz, para mostrar que quem manda no PT nestas eleições é o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Serra procurou mostrar que quem manda é o Lula, que escolheu ele (Haddad) e não a Marta para ser candidata. Haddad se defendeu, tentando dizer que quem conhece Marta sabe que ela não recebe ordens de ninguém", pontuou.

Kuntz elogiou a atuação da candidata do PPS, Soninha Francine, pela sua capacidade de falar bem às câmeras e pela contribuição ao debate. "Ela está com o timing perfeito de um debate, perguntando para todos e reconhecendo qualidades e defeitos da Marta (Suplicy) e Serra, quando foram prefeitos. Ela não adotou a postura de ''franco atiradora'', batendo em todos os outros. Está contribuindo com o debate", disse.

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