Debate é marcado por hostilidade entre candidatos à Câmara

O debate entre os candidatos à presidência da Câmara, transmitido pela TV Câmara, foi marcado pelo confronto e hostilidade entre os três concorrentes. Os dois candidatos da base do governo, o presidente da Casa Aldo Rebelo (PC do B-SP) e Arlindo Chinaglia (PT-SP), adotaram um tom mais duro ao final e Aldo chegou a dizer que a eventual vitória do petista seria negativa para a democracia, para o Poder Executivo e para partidos políticos. "Não creio que, em nome da democracia e do equilíbrio dos Poderes do País, se deva dar ainda mais força e mais poder a um único partido. Não julgo prudente, não julgo equilibrado. Não julgo bom nem para a democracia, nem para o País nem para o próprio Partido dos Trabalhadores a concentração de tanto poder em suas mãos", disse Aldo nas considerações finais. Chinaglia respondeu que sua candidatura "é mais ampla do que o PT"."Nunca perguntei ao presidente Lula se eu deveria ser candidato. Minha relação com ele nunca foi nem será uma relação de subordinação", acrescentou Aldo. Gustavo Fruet (PSDB-PR) insistiu na necessidade de independência do Poder Legislativo e afirmou que a vitória de Chinaglia ou de Aldo significaria a subordinação da Câmara ao Palácio do Planalto. "Temos que acabar com a lógica de que para ser presidente da Câmara é preciso ser líder do governo", disse Fruet, em referência ao fato de Chinaglia ser o atual líder do governo na Câmara, cargo já exercido por Aldo. "Arlindo Chinaglia representa a simbologia dos escândalos pois tem apoio de todas aquelas forças associadas ao (mensalão)", atacou Fruet."Espero que não tenha incluído a decisão da bancada do PDSB, que teria me apoiado não fosse sua candidatura", respondeu Chinaglia. "O senhor deve respeitar o PSDB e também os outros partidos. Não posso permitir que V.Exa. ataque impunemente outros partidos", completou o petista, aparentando irritação. O PSDB havia aderido à campanha do PT, numa decisão que causou um racha no partido, mas mudou de posição após o lançamento de Gustavo Fruet pela terceira via. "Vamos passar um período difícil de disputas internas, de tentativa de construção de um projeto hegemônico dentro da Câmara. Eu quero defender a instituição. Eles são governo, eu quero ser a Câmara. Eles defenderam o governo, eu quero defender a Câmara", encerrou o tucano.No bloco em que os candidatos fizeram perguntas entre si, Aldo procurou testar o conhecimento dos dois adversários. Pediu que Chinaglia enumerasse prioridades para as bancadas do Acre, de Roraima e do Amapá. O petista respondeu que não era candidato a presidente do País nem a governador e que ouviria as bancadas para saber das prioridades. "Me perdoe, mas o senhor já deveria ter ouvido", provocou Aldo. Depois, em entrevista, Aldo insistiu na tentativa de mostrar que conhece mais as dificuldades das bancadas do que seus adversários. "Não exigi nada que não fosse da obrigação deles conhecer. Eu sei as prioridades de cada bancada. É uma obrigação nossa saber. Os candidatos expuseram o seu nível de conhecimento das prioridades e do funcionamento da Casa", afirmou Aldo.A contundência de Aldo Rebelo na crítica à concentração de poder nas mãos do PT surpreendeu os petistas, que reagiram. "É um erro porque alimenta um preconceito que não é bom amigo da política democrática. Ele tentou alimentar o preconceito. Na minha opinião foi a frase mais infeliz do presidente", disse o líder do PT na Câmara, Henrique Fontana (RS). Aldo Rebelo foi estimulado a lançar-se na disputa pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas viu sua candidatura perder apoio do Palácio do Planalto após Arlindo Chinaglia ter lançado seu nome. Sobre o tom ríspido do debate, Chinaglia comentou: "Só me defendo, eu nunca puxo a faca primeiro." O candidato petista disse se sentir "homenageado" por ser o alvo de críticas de seus concorrentes. "É o reconhecimento implícito da força da nossa candidatura", afirmou Chinaglia. Chinaglia foi perguntado sobre eventual proposta de anistia do deputado cassado José Dirceu, e indicou que como presidente deve respeitar qualquer projeto de iniciativa popular que chegue à Casa. Os três candidatos defenderam a reforma política, a recuperação da imagem da Câmara e o reajuste dos deputados corrigidos apenas pela da inflação. A eleição será no dia 1° de fevereiro, dia da posse dos deputados eleitos em outubro de 2006. Para que o deputado chegue à presidência, são necessários 257 votos, o que equivale à metade mais um dos 513 deputados. Se nenhum dos candidatos atingir esse número, haverá segundo turno, com os dois mais votados. Com Reuters

Agencia Estado,

29 de janeiro de 2007 | 15h52

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.