De volta das férias, Lula enfrenta série de crises

Governo cogita alterar texto do Programa de Direitos Humanos para evitar desgaste com militares

Denise Madueño, da Agência Estado,

11 de janeiro de 2010 | 12h02

Polêmicas e questões espinhosas aguardam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na volta ao trabalho nesta segunda-feira, 11, depois de dez dias de recesso divididos entre as praias de Inema, na Bahia, e de Guarujá, em São Paulo. Lula terá de resolver a crise gerada em torno do Programa Nacional de Direitos Humanos que provocou pedido, não aceito, de demissão do ministro da Defesa, Nelson Jobim, reações negativas de militares, de entidades católicas, do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, e da Confederação Nacional da Agricultura (CNA). Cada um combateu uma parte do programa.

 

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A criação da Comissão da Verdade, proposta no programa de Direitos Humanos para investigar todos os fatos referentes ao regime militar, irritou Jobim e os comandantes das Forças Armadas. Os militares consideraram o programa um insulto e de caráter "revanchista". As divergências sobre rever os trechos do programa que abrem a possibilidade de punição a ex-torturadores provocou a ameaça de renúncia coletiva de Jobim e dos comandantes militares.

 

Segundo reportagem da Folha de S. Paulo desta segunda-feira, uma das soluções cogitadas pelo governo para apaziguar a polêmica seria reeditar o plano, suprimindo a referência à "repressão política" na diretriz 23, que cria a comissão da verdade. A proposta teria sido apresentada por Jobim e poderia ser aceita pelo ministro de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, que aposta em uma "solução de meio termo".

 

Por outro lado, setores da Igreja Católica reagiram contra artigos do programa que propõem apoio à aprovação de projetos de lei de descriminalização do aborto e de união civil de pessoas do mesmo sexo.

 

A CNA e o ministro da Agricultura enxergaram no programa uma ameaça ao agronegócio. Reinhold Stephanes considerou que haverá uma insegurança jurídica no campo com a flexibilização de regras de reintegração de posse de terras invadidas e que a proposta trata com "preconceito" a agricultura comercial.

 

 

 

Não bastasse essa crise que aumenta a cada dia com a inclusão de setores descontentes com o texto do programa, outra questão polêmica aguarda Lula. Ele terá de enfrentar o impasse criado com o comando da Aeronáutica - mais uma envolvendo militares - em torno do relatório vazado para imprensa a favor da compra dos aviões-caças da empresa sueca Saab, contrariando preferência manifestada pelo presidente pelos aviões da Rafale, da empresa francesa Dassault.

 

O vazamento do relatório técnico com a avaliação dos modelos de caças para a renovação da Força Aérea Brasileira (FAB) foi considerado por auxiliares próximos do presidente como uma última tentativa do comando da Aeronáutica de pressionar e constranger o presidente a escolher o caça sueco, mais barato, e afastar a França da negociação, cujos aviões-caças ficaram em terceiro lugar na análise técnica da Aeronáutica. 

 

Eleição

 

Paralelamente a essas questões, Lula terá de administrar a aliança política em torno da candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à presidência da República. O PT e o PMDB não conseguem chegar a um acordo em Estados importantes para a aliança, como Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do País. O desafio da candidata de Lula será também conseguir chegar a 30% nas pesquisas de intenção de voto até março, para ajudar na consolidação da aliança com o PMDB, partido fundamental para a campanha da petista.

 

Com a ministra e pré-candidata a tiracolo, Lula, já nesta semana, segue a estratégia de aumentar o ritmo de viagens neste ano eleitoral. Eles devem visitar obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) nas cidades de São Julião e Patos do Piauí e seguir a Bacabeira (MA) para participar do lançamento da pedra fundamental de uma refinaria da Petrobrás.

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