De uma só vez, Kassab rebate Russomanno e Marta

Para o prefeito, Russomanno mostrou 'profundo desconhecimento' e Marta aumentou carga tributária de SP

Felipe Frazão, de O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2012 | 16h47

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), veio a público nesta sexta-feira, dia 7, com discurso preparado para, de uma só vez, criticar reações e propostas do candidato do PRB à sua sucessão, Celso Russomanno, e cutucar a ex-prefeita e senadora Marta Suplicy (PT) - que faz campanha para o candidato Fernando Haddad (PT). Kassab afirmou, após o desfile de Sete de Setembro no Anhembi, zona norte, que Russomanno mostrou "descontrole emocional" e "profundo desconhecimento" sobre a capital paulista com suas ideias sobre empresas de ônibus e a Guarda Civil Metropolitana (GCM).

Segundo o prefeito, as promessas de Russomanno podem aumentar em R$ 1 bilhão cada os gastos da administração. "É impossível. Nossa Prefeitura não tem recursos. A não ser que o candidato já esteja pensando em aumentar a carga tributária. Aí, tudo bem. A gestão anterior, da ex-prefeita, aumentou. Tanto é que ela tinha carinhosamente o apelido da cidade", disse Kassab, sem citar o "Martaxa".

Para o prefeito, Russomanno faz "falsas promessas ou vai quebrar financeiramente a cidade" quando propõe aumentar a remuneração das cooperativas de ônibus e igualar à das empresas concessionárias. O prefeito rebateu Russomanno embasado em dados fornecidos por sua assessoria. Por contrato, a Prefeitura paga entre R$1,35 a R$ 1,75 do preço da passagem (R$ 3) para as cooperativas. E entre R$ 2,02 e R$ 2,66, conforme explicou. "Ele mostra uma profunda falta de conhecimento. Ele vai aumentar a tarifa? Vai tirar da Saúde? Da Educação?", questionou Kassab. "Fiquei muito preocupado com a proposta dele."

Kassab também continua a classificar como "absurda" a proposta do líder nas pesquisas de intenção de voto para aumentar o efetivo de segurança pública com vigilantes particulares. Russomanno quer a Prefeitura cadastre os vigias noturnos que trabalham nas ruas da cidade (pagos por moradores) e integre a comunicação deles, via rádios, com as Polícias Civil e Militar. Russomanno também propôs aumentar o efetivo da GCM de 6 mil para 20 mil agentes.

Kassab afirmou que o candidato pretendia "criar uma milícia". Ao que Russomanno retrucou mandando o prefeito "enfiar o rabo entre as pernas". "Faltou serenidade ao Russomanno. O que eu fiz foi confrontar uma ideia. As propostas dele são inadequadas para a administração e desnecessárias para a cidade", disse Kassab. "Na primeira prensada que ele leva do prefeito, até para ajudá-lo a parar de falar bobagem, ele perde a serenidade. É preocupante. Por conta de uma crítica simples, ele vem com tijolo na mão desqualificando, agredindo? Mostra descontrole emocional. Recomendo calma a ele."

Kassab destacou que também fez críticas ao petista Fernando Haddad, mas que este "teve postura e serenidade". Ele afirmou que se defendeu como prefeito, político e cidadão, porque a "gestão vai bem".

Serra. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), assistiu ao desfile ao lado de Kassab. O tucano minimizou a tendência, apontada por pesquisas eleitorais, de queda na intenção de voto do candidato José Serra (PSDB) - apoiado por ambos: "Falta um mês ainda. Essas oscilações são normais".

Kassab também defendeu que Serra pode reverter o quadro e voltar a crescer. "A rejeição não é à pessoa do Serra. É à candidatura dele, alguns pessoas imaginando que ele não vá ficar à frente da Prefeitura caso vença a eleição, e isso tá sendo dissipado, é as pessoas achando que ele não quer ser prefeito. E a boataria é grande", defendeu Kassab. "A candidatura dele é superior em experiência e capacidade de gestão."

O prefeito afirmou que a má avaliação de sua administração "também está vinculada a essas ondas". "É muito mais ao sabor da campanha, do que da avaliação em si por parte do cidadão", disse Kassab.

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