De saída do STF, Ayres Britto prega 'cordialidade'

Ministro de 70 anos atingiu a idade e teve que se aposentar compulsoriamente

Mariângela Galucci, O Estado de S. Paulo

13 de novembro de 2012 | 20h09

BRASÍLIA - Às vésperas de sua aposentadoria compulsória aos 70 anos, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Britto, afirmou nesta terça-feira, 13, que não está frustrado porque deixará a Corte antes do final do julgamento do mensalão. "Sempre foi minha vontade tocar esse processo em um ritmo compatível com presteza e segurança. Se não puder proclamar o resultado, não será um problema. O ministro Joaquim Barbosa o fará e isso não me frustra em nada", afirmou Ayres Britto no intervalo de sua última sessão como presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Ele disse que não está triste. "Estou virando uma página e a estou fazendo com alegria. Não perdi minha viagem. Dei o máximo de mim, sempre com devoção e responsabilidade", disse o ministro que deverá deixar os cargos na próxima sexta-feira, 16.

Nesta terça-feira, no final da sessão do conselho, ele fez um discurso emocionado e deu recados. Disse que em um órgão colegiado deve ser mantida "alta taxa de cordialidade e gentileza" porque "aí o processo flui". Na véspera, o relator do processo do mensalão, Joaquim Barbosa, e o revisor, Ricardo Lewandowski, desentenderam-se seriamente. Lewandowski chegou a abandonar o plenário. "O derramamento de bílis não combina com a produção de neurônios", acrescentou Ayres Britto.

Em seu discurso, o presidente do STF e do CNJ falou sobre a remuneração dos juízes. Ele disse que o Judiciário "não é tratado remuneratoriamente à altura da superlatividade de seu papel". Ayres Britto afirmou que o custo de vida no Brasil é muito alto e que não é adequado comparar os salários dos magistrados daqui com os de outros países.

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