De saída do cargo, líder do PT critica relação de Dilma com o Congresso

Apesar de elogiar ida de presidente na sessão de reabertura do legislativo, Humberto Costa disse que é preciso que haja 'ações concretas' da petista

Isabela Bonfim, O Estado de S. Paulo

02 de fevereiro de 2016 | 17h23

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff decidiu levar pessoalmente, nesta terça-feira, 2, sua mensagem ao Congresso Nacional na abertura do ano legislativo de 2016. Antes da cerimônia,entretanto, o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PT-PE), defendeu posicionamentos que a presidente faria no discurso minutos mais tarde, mas também não poupou críticas à relação de Dilma com o Congresso. Depois de três anos na liderança do partido, Costa deve deixar o cargo em breve.

Costa afirmou que a vinda da presidente ao Congresso para a cerimônia de abertura no ano legislativo foi um "gesto positivo", mas que a questão não se resolve "apenas com gestos e palavras, é preciso que haja ações concretas". 

O senador petista cobrou maior articulação entre governo e Congresso e criticou vetos da presidente. "Em 2015, tivemos votações de MP construídas em acordos políticos no Congresso sendo vetadas lá no Palácio. É um tipo de coisa que temos que aperfeiçoar", cobrou. Segundo o líder, a articulação melhorou com a presença dos ministros Jacques Wagner (Casa Civil) e Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo), mas que este é um processo "permanente" que precisa ser aperfeiçoado "o tempo inteiro".

Humberto também argumentou que os problemas na relação entre a presidente e o Congresso estão "mais naquela sintonia fina do que em questões gerais". Ao listar as dificuldades, ele citou exemplos que demonstra a falta de diálogo. "Coisas pequenas, votações de projetos de lei, decisões que são tomadas de vetar certas propostas que não deveriam acontecer, algumas conversas que precisavam ser feitas e não são." Ele defendeu, entretanto, que a sintonia com o PMDB tem melhorado e que, no Senado, é plena. 

CPMF. O líder petista também mostrou pouca animação com a proposta da volta da CPMF, que também foi defendida pela presidente na cerimônia sob vaias do plenário. De acordo com Dilma, os recursos seriam aplicados na Previdência e na Saúde. "Se a votação acontecesse hoje, dificilmente passaria. Eu diria que é muito difícil", afirmou Humberto Costa. Segundo ele, a bancada do PT compreende a importância da CPMF como um recurso necessário para "o equilíbrio fiscal e a preservação do pagamento de benefícios da previdência social", mas apenas provisoriamente. Do contrário, a bancada defenderia que outro tributo fosse retirado. 

Ainda sobre a CPMF, Humberto Costa afirmou que o governo buscou outras possibilidades para alcançar o equilíbrio fiscal, mas sem sucesso, e que a aprovação da CPMF depende de outros fatores, como o resultado da arrecadação da repatriação e outras propostas. 

Por outro lado, ele saiu em defesa da presidente na questão da reforma da Previdência. "Um debate sobre a sustentabilidade da previdência no médio e no longo prazo é necessário", afirmou Humberto, defendendo uma das bandeiras que a presidente trouxe ao plenário do Congresso Nacional nesta tarde. Ele também criticou a possibilidade de manifestações da oposição durante o discurso da presidente. "Se fizerem, vai ficar feio para a oposição, porque estamos em um ambiente institucional, na presença dos presidentes do Supremo e do Congresso, além da presidente da República."

Liderança. Devido à cerimônia no Congresso Nacional, a bancada do PT no Senado decidiu por adiar para quarta-feira a reunião que definiria nomes para a liderança do partido na Casa, além de um novo presidente para a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), já que o senador Delcídio Amaral (PT-MS) foi preso em novembro do ano passado e está afastado do cargo. Humberto Costa foi líder do PT no Senado em 2011, 2014 e 2015, mas não quer ser reconduzido à liderança neste ano. As candidaturas ao cargo ainda não foram oficializadas, mas o senador Paulo Rocha (PT-PA) já demonstrou seu interesse. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.