Felipe Neto/Divulgação
Felipe Neto/Divulgação

Felipe Neto, de produtor de conteúdo infantojuvenil a ativista político

Influenciador digital tem atuado como defensor informal de interesse de youtubers no Congresso e planeja trabalho no Terceiro Setor

Tulio Kruse, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2020 | 20h59

A combinação entre produtor de conteúdo infantojuvenil, comentarista político e ativista soa improvável, mas, de alguma forma, Felipe Neto reúne essas características. Aos 32 anos, ele tem um dos três maiores canais do YouTube do Brasil, segundo a plataforma, com mais de 39 milhões de inscritos.

Seus vídeos registram o que ele pensa há cerca de uma década, o que resultou num processo de transição ideológica documentado em detalhes. A metamorfose o levou a ter suas opiniões publicadas no The New York Times e a ver no Terceiro Setor um campo para desenvolver uma nova carreira.

Felipe Neto fala sobre política desde seus primeiros vídeos na internet, em 2010. O discurso era marcado por um tom antiestablishment, que o acompanhou por mais da metade de sua trajetória. A tônica, porém, mudou nos últimos anos, até ele se tornar crítico do presidente Jair Bolsonaro.

Em maio, ele disse, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, ter se arrependido de defender a queda da presidente cassada Dilma Rousseff (PT). “Reviso minhas posições políticas, sociais e econômicas o tempo inteiro”, afirmou ele ao Estadão

Hoje, Felipe Neto tem concentrado esforços no combate a redes de desinformação, das quais é vítima, e faz uma defesa informal, no Congresso, dos interesses de produtores de conteúdo na internet.

Isso se intensificou com a discussão do Projeto de Lei das Fake News. Sua principal parceira na empreitada é a produtora Nilce Moretto, que também administra canais famosos no YouTube. “Estamos há meses nessa jornada, conversando com o máximo possível de pessoas. Há diversos institutos do Terceiro Setor que dialogam conosco e lutam no meio dessa loucura toda”, disse o youtuber. “É unânime, entre todos esses especialistas, que estamos caminhando para o caos com esse projeto de lei. Será que todo mundo que respira o assunto 24 horas por dia há anos está errado?”

Futuro

Neto afirmou que, mesmo após a aprovação da lei, deve continuar no ramo da filantropia, com a criação e financiamento de institutos que trabalhem com temas como desigualdade, liberdade de expressão e meio ambiente. “Tenho mais a oferecer por meio do Terceiro Setor do que pela política tradicional”, disse.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.