De olho no mercado, PSDB foca questão fiscal

Os tucanos pretendem tirar de pauta a discussão sobre eventuais alterações na condução da política monetária, deixando como foco o debate em torno da questão fiscal. A ideia é evitar que ruídos alimentem o temor em parte do mercado financeiro de que, em caso de vitória do governador de São Paulo, José Serra, haverá mudanças na política macroeconômica.

JULIA DUAILIBI, Agencia Estado

06 de março de 2010 | 09h02

Nomes do PSDB ligados à área econômica defendem, de fato, alterações na política monetária, por meio de uma atuação mais forte do Banco Central. Os principais alvos são a alta taxa de juros e o câmbio valorizado, que já foram dezenas de vezes criticados pelo próprio governador. É praticamente consenso entre tucanos ligados a Serra de que deve haver ação mais incisiva do BC para brecar a valorização excessiva do real. Isso não significa, argumentam, diminuição da autonomia do órgão. Tampouco passa pela criação de mecanismos de controle de capital, o que causa arrepios no mercado.

A defesa do tripé macroeconômico (metas de inflação, câmbio flutuante e superávit primário) é explícita. Mas a avaliação de economistas próximos ao governador é de que o BC deve usar mecanismos de que dispõe de forma mais contundente. Um exemplo ouvido foi a atuação do BC no mercado para comprar dólar. Avalia-se que deveria ser feita de modo menos sistemático a fim de evitar "consensos absolutos sobre o câmbio".

É justamente a defesa de uma atuação mais voluntária que desperta incerteza. Para o mercado, isso pode significar algo mais, como diminuição dos juros por canetada ou restrição da autonomia do BC - já é lugar comum ouvir de operadores do mercado comentários de que Serra será "ministro da Fazenda e presidente do Banco Central dele mesmo".

A direção do partido tem orientado seus quadros a não fazer comentários sobre esses tópicos. Quer fixar o debate em torno da "herança maldita" do PT - leia-se o déficit em conta corrente. O objetivo é discutir a qualidade dos gastos, relacionando os "baixos investimentos do governo federal ao crescimento dos gastos correntes". Tucanos alegam que a questão juro-câmbio é demanda do empresariado. Na semana passada, Serra reuniu-se com executivos para ouvir e falar sobre a conjuntura econômica. A discussão é delicada. Parte do eleitorado vê o câmbio valorizado como sinônimo de preços baixos. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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