De olho no comando da ABL, Sarney presenteia imortais

O senador e acadêmico José Sarney (PMDB-AP), ocupante da cadeira 38 da Academia Brasileira de Letras , aproveitou a eleição de Rosiska Darcy de Oliveira, semana passada, para presentear os colegas de ABL com DVDs contando as vidas de alguns membros da instituição - entre eles, a do próprio Sarney. As gravações trazem edições da série "Histórias de Acadêmicos", exibida pela TV Senado desde meados de 2012 - quando Sarney ainda presidia a Casa, cujo comando passou no início de 2013 para Renan Calheiros. O mimo foi visto na Academia como movimento do autor de "Norte das Águas" e "Marimbondos de Fogo", entre outros livros, para se candidatar à sua presidência, no fim deste ano.

WILSON TOSTA, Agência Estado

15 Abril 2013 | 19h37

A candidatura de Sarney à presidência da instituição já começou a ser articulada por acadêmicos que lhe são próximos. Embora seja improvável uma disputa pelo cargo, que não é da tradição da ABL, há quem a veja com reserva entre os integrantes da casa de Machado de Assis. O mandato do senador vai até 31 de janeiro de 2015 e seria incompatível com o exercício do comando da Academia. O posto exigiria que o senador, que é do Maranhão e tem residência em Brasília, ficasse mais tempo no Rio. Na ABL, comenta-se que, até a eleição de Rosiska, a presença de Sarney nos eventos da instituição era rara.

Além de Sarney, outros cinco acadêmicos têm DVDs em cada um dos pacotinhos dados pelo senador aos colegas: Antonio Carlos Secchin, Carlos Heitor Cony, Nélida Piñon, Carlos Nejar e Cleonice Berardinelli. Este ano, já foram exibidos pela TV Senado programas sobre Lêdo Ivo, Eduardo Portella e Ivan Junqueira, mas essas edições das "Histórias de Acadêmicos" não estavam nos DVDs distribuídos pelo parlamentar na semana passada (o perfil de Junqueira deveria ser exibido anteontem).

Um integrante da ABL, sob condição de anonimato, confirmou a articulação pró-Sarney presidente da Academia. "Já há conversas", contou. "Ele tem muitos amigos." O senador foi procurado, por meio de sua assessoria de imprensa, no Senado, mas, até o início da noite, não retornara pedido de entrevista.

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