De olho nas reformas, governo proporá adiamento de CPI

Preocupado com eventuais reflexos negativos na agenda de reformas, o governo vai propor o adiamento, por 60 dias, da instalação da CPI destinada a investigar a remessa ilegal de dólares, pelas contas CC5, à agência do Banestado em Nova York. Ontem, o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, entrou no circuito com o objetivo de contornar a situação e tentar convencer os líderes governistas a aguardarem um pouco até que se tenha um quadro mais detalhado das investigações feitas no âmbito do governo. Para explicar as providências tomadas pela Polícia Federal e as medidas para coibir a lavagem de dinheiro, o ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos, deve ter um encontro, se possível ainda nesta quinta-feira, com líderes partidários. Esse encontro reforçará a estratégia governista no sentido de convencer os parlamentares a aceitarem o adiamento da instalação da CPI.O governo, segundo informações de interlocutores do ministro José Dirceu, não deseja enterrar a CPI, mas vai trabalhar para que não seja instalada no meio da plena discussão e votação das reformas estruturais. O deputado Roberto Brant (PFL-MG), que deve ser eleito hoje presidente da Comissão Especial que discutirá a reforma da Previdência, ressaltou que a CPI criaria dificuldades para a condução das reformas que o governo pretende agilizar. "Toda CPI é ruim para o governo, pois tumultua o processo legislativo e transforma o Congresso em foro policial", disse. É o que pensam também parlamentares da ala governista do PT, ressaltando que CPI sempre foi instrumento da oposição e, portanto, muito solicitada pelos petistas. Só que agora o PT virou governo.

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