De olho em SP, Ciro já estuda problemas do Estado

Deputado tem se reunido com lideranças do PT e PSB para receber diagnósticos sobre o Estado

Gustavo Porto e Anne Warth, da Agência Estado,

11 de março de 2010 | 19h20

Mesmo que o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) venha afirmando que pretende disputar a sucessão presidencial nas eleições de outubro, setores do PT e do próprio PSB trabalham com a possibilidade de emplacar seu nome para a disputa ao governo do Estado de São Paulo. Nos últimos dias, o parlamentar tem se reunido com lideranças dos dois partidos na capital para receber um diagnóstico dos problemas e desafios do Estado.

 

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A perspectiva de que Ciro poderá disputar a sucessão ao Palácio dos Bandeirantes surpreendeu o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, pré-candidato do PSB ao mesmo cargo. O empresário, aliás, já manifestou, por diversas vezes, não ter a intenção de disputar um cargo no Legislativo.

 

Nesta quinta-feira, 11, durante palestra em Minas Gerais, Ciro Gomes disse que, se dependesse dele, Skaf seria candidato ao governo de São Paulo. No mesmo evento, porém, ao ser questionado sobre a razão de não ter, ainda, descartado a disputa ao governo paulista, disse: "Irreversível na política, só a morte."

 

Questionado sobre qual seria seu destino caso Ciro opte mesmo pela disputa estadual, Skaf disse: "Se Ciro quiser sair candidato ao governo de São Paulo, sairá. Pode ser que ele esteja mais animado, embora sempre tenha dito que prefere a Presidência da República", afirmou. Diante da insistência dos repórteres sobre o que faria nessa situação, Skaf foi enfático: "Não estou desempregado. Tenho mandato à frente da Fiesp até 2011 e, pelo estatuto da entidade, tenho direito a concorrer a mais um mandato. Estou animado e feliz aqui."

 

Skaf participava de uma entrevista coletiva em que detalhava os motivos pelos quais a Fiesp acredita que a taxa básica de juros não deve ser elevada. Ele mesmo tomou a iniciativa de falar sobre política ao dizer que, caso dispute as eleições, terá de se licenciar do cargo de presidente da Fiesp até maio. "Eu não procurei nenhum partido político para me filiar. Recebi um convite do PSB e aceitei. Na política as coisas são muito dinâmicas. Não teria problema nenhum caso Ciro queira disputar o governo de São Paulo. Se ele mudar de ideia, tudo bem. Inclusive viajo mais tranquilo", disse ele, antes de encerrar a entrevista e embarcar para Israel para integrar uma missão de empresários.

 

Semana decisiva

 

De acordo com fontes ouvidas pela Agência Estado, a próxima semana deverá ser decisiva para uma definição de Ciro e do PSB sobre o futuro do deputado. Ele é esperado para uma reunião com todos os partidos da frente de oposição ao PSDB, formada por PT, PSB, PDT, PCdoB, PTC, PRB, PSC e PTN. A coalizão espera também ter o apoio do PHS e PR, que também negociam a adesão ao grupo.

 

Ciro deve ainda conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que, na prática, é quem deverá dar a palavra final sobre quem será o candidato a governador da coalizão. Outro fator que poderá favorecer a decisão de Ciro pela campanha a governador é a cada vez mais provável escolha do governador José Serra (PSDB) pela disputa presidencial. A avaliação é de que nenhum adversário teria chance de vitória com Serra candidato à reeleição em São Paulo.

 

Segundo as mesmas fontes, outro que estaria quase convencido de que Ciro pode optar pela eleição ao governo paulista é o deputado federal Márcio França (PSB-SP), presidente estadual do partido. Dentro do PT, os sinais dados por Ciro esta semana incomodaram uma ala que defende a candidatura do senador petista Aloizio Mercadante ao governo de São Paulo. O próprio Mercadante, que antes repudiava concorrer ao governo paulista e lutava pela reeleição, agora estaria disposto a encarar a disputa.

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