DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

Cabo Daciolo tenta recriar partido de Enéas para concorrer à Presidência

Candidato em 2018, ex-bombeiro tenta refundar o Prona, que deixou de existir em 2006, quando se fundiu com o PL

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2019 | 13h31

Depois de receber 1,3 milhão de votos na disputa presidencial de 2018 , o ex-deputado Cabo Daciolo reapareceu no mundo político neste sábado, 7, ao liderar a convenção de refundação do Partido da Restauração da Ordem Nacional (Prona), do ex-deputado Enéas Carneiro

A legenda deixou de existir em 2006, quando se fundiu com o PL. Agora, segundo Daciolo, a ideia é coletar assinaturas para reestruturar a sigla até 2022 para que ele possa concorrer à Presidência.

“O Prona atende a tudo que o Daciolo pensa. Getúlio (Vargas) e Enéas são as grandes inspirações da minha vida”, disse Daciolo, sempre se referindo a sí próprio na terceria pessoa.

"Eu profetizo: serei presidente da República com 51% dos votos", disse Daciolo para uma plateia de cerca de 50 pessoas em um longo discurso no púlpito da Igreja da Unificação Mundial do Cristianismo, em Pinheiros, onde ocorreu a convenção do novo Prona. O local foi decorado com totens de Enéas em tamanho real, banners com a imagem do ex-presidenciável, que morreu de câncer em 2007, e faixas com o slogan “Nós temos fé no Brasil. Daciolo 56”.

No fim de seu discurso, o ex-deputado chamou para o palco o vice – presidente do Prona, João Vitor Sparano, e a ex-deputada Patrícia Lima, que foi secretária de Enéas e uma de suas herdeiras políticas.

“Eu não vou assumir a presidência do partido, que fica com você, Patrícia. Vocês nem conseguem falar comigo”, disse Daciolo mostrando o seu celular modelo antigo e arrancando risos da plateia. Em 2018, o então candidato, que anda sempre com uma bíblia na mão, se isolou uma montanha em plena campanha para orar.

O novo Prona vai ter que passar por todo o ritual de criação de partidos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) porque a versão original do partido se fundiu com o PR em 2006, um ano antes da morte de Enéas.

Nos registros do TSE dois grupos tentam se registrar com o nome Prona. O de Daciolo, que conta com o apoio da ex-deputada e braço direito de Enéas, Havanir Nimitz, e outro do Rio de Janeiro.

Há, porém, uma divergência com o “legado” de Enéas. Para o ex-deputado a bomba atômica, uma obsessão do fundador do Prona, não é uma agenda prioritária.

Fiel ao seu estilo, Cabo Daciolo fez um discurso repleto de passagens bíblicas e teorias conspiratórias. “A nova ordem mundial serve ao mal. Vem para matar, roubar e destruir. Querem trazer esse caos da América do Sul para o Brasil”.

Críticas a Bolsonaro

O governo Bolsonaro também foi alvo de duras críticas do ex e futuro presidenciável. “A maçonaria comanda tudo e o alicerce desse governo é a maçonaria. O general Mourão, que grão mestre, está louco para sentar na cadeira do Bolsonaro. Tem também o Paulo Guedes. O Bolsonaro está cercado de inimigos ao redor”.

Um ponto que uniu Daciolo ao ideário de Enéas foi o nacionalismo exacerbado. O novo Prona defende a reestatização de empresas privatizadas, mas rejeita o rótulo de esquerda.

“Esse papo de esquerda e direita é uma grande mentira. Querem dividir para conquistar. São amiguinhos. Como se transforma isso Daciolo? Da forma sobrenatural, a forma de Deus”, disse Daciolo ao Estado.

Tudo o que sabemos sobre:
Cabo DacioloProna

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.