De olho em 2014, Skaf põe equipe de Duda Mendonça na Fiesp

Profissionais trabalharam para o publicitário Duda Mendonça em campanhas durante as eleições 2010

Jair Stangler,

02 de março de 2011 | 12h34

O presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, iniciou no final de 2010, um processo de reestruturação de sua equipe de comunicação. Chama a atenção nesse processo a quantidade de profissionais que trabalharam para o publicitário Duda Mendonça durante o período eleitoral – fosse na campanha do próprio Skaf, que concorreu ao governo de São Paulo pelo PSB, fosse em campanhas de outros candidatos.

 

A campanha de Skaf ao governo de São Paulo foi feita pelo publicitário Duda Mendonça, e custou R$ 18,5 milhões, segundo dados do TSE. O presidente da Fiesp obteve 1.038.430 votos – 4,56% dos votos válidos. Cortejado pelo vice-presidente da República, Michel Temer, para ingressar no PMDB, Skaf é cotado para disputar a prefeitura de São Paulo em 2012, embora, segundo informações de bastidores, ele tenha dito que prefira disputar o governo do Estado em 2014.

 

Reestruturação

 

Após as eleições, Skaf reassumiu a presidência da Fiesp e deu início ao processo de reestruturação do setor de comunicação. Contratou o jornalista Ronaldo França para coordenar o processo. França trabalhou na revista Veja durante 12 anos e atuou com a equipe de Duda Mendonça na campanha de Hélio Costa (PMDB) na disputa pelo governo de Minas Gerais. França, a princípio, ficaria na entidade apenas para conduzir a reestruturação.

 

Além de França, outros nomes passaram a integrar a equipe: como Vincent Bachelet, Paula Ortiz, Edison Bello e Junior Ruiz. Bachelet, que atuava na Duda Propaganda, assumiu o site da Fiesp. Paula Ortiz, que também trabalhou na campanha, agora coordena o setor de fotos e vídeos da Fiesp. A ela estão subordinados o câmera Edison Bello e o fotógrafo Junior Ruiz, que também trabalharam na campanha e agora estão na Fiesp – Ruiz, segundo uma das fontes ouvidas pela reportagem, tornou-se até amigo pessoal de Skaf.

 

Por outro lado, pessoas que estavam lá há mais tempo estão deixando a entidade. O caso mais emblemático talvez seja o de Ricardo Viveiros, que chefiou a assessoria de imprensa da entidade por seis anos. A decisão de retirar Viveiros partiu do próprio Skaf. Continuará como colaborador da Fiesp, mas fora da entidade, produzindo alguns textos. Viveiros deixou a entidade na segunda-feira, 28 de fevereiro.

 

A mudança na Fiesp não é apenas de novas caras. A Ogilvy, agência de publicidade que tinha a conta da Fiesp teve encerrado seu contrato com a entidade. Um processo de licitação para contratar uma nova agência será aberto em breve. A Revista da Indústria, que era produzida na própria entidade, será terceirizada.

 

Segundo a reportagem apurou, França chegou a afirmar categoricamente à equipe que o foco do trabalho de divulgação da Fiesp deveria se concentrar na figura de seu presidente. Esta, aliás, é uma crítica frequente de repórteres que cobrem a entidade: que sempre é preciso passar pela assessoria de imprensa para se ouvir alguém da entidade. Outra fonte ouvida pela reportagem defende a postura: “Quem fala pela Fiesp é o seu presidente. Do contrário, pode acontecer de alguém falar alguma coisa na imprensa que é o contrário do que defende a entidade.”

 

Essa mesma fonte defende também as contratações. A justificativa é que as contratações foram feitas por serem pessoas do mercado com quem Skaf teve contato durante a campanha. O foco seria a profissionalização do setor.

 

A contratação do jornalista Fábio Cunha, que estava na secretária da Fazenda do governo de São Paulo e vai assumir a assessoria de imprensa da Fiesp – um jornalista sem vínculo com Duda Mendonça – seria uma demonstração nesse sentido.

 

Outro lado

 

Procurado pela reportagem, o publicitário negou qualquer compromisso com os contratados pela Fiesp, conforme nota da assessoria:

 

“As pessoas citadas abaixo, são profissionais do mercado e não mantêm, nem nunca mantiveram vinculo fixo com a Duda Propaganda, apenas trabalharam como “freelancer”, entre centenas de outras, na campanha do Paulo Skaf para governador. Durante a campanha tiveram a oportunidade de manter contato direto com o Skaf, pois algumas delas exerciam função de apoio ao candidato, como fotógrafo, cinegrafista, editor, etc.

 

“Se estão ou não, trabalhando na Fiesp, estas contratações foram feitas sem nenhuma participação ou indicação do Duda Mendonça.”

 

Já a Fiesp não se pronunciou sobre o assunto.

 

Trampolim

 

Na presidência da Fiesp desde setembro de 2004, Skaf já foi acusado de mudar o estatuto para se manter no poder da entidade e também de usar a entidade como trampolim para voos mais altos. Ele diz que foi feito um acordo para que pudesse disputar mais uma reeleição. O acordo foi feito para unir as direções da Fiesp e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em 2007 – antes disso, Skaf presidia a Fiesp e Cláudio Vaz, a Ciesp, o que provocou um racha na representação da inústria de São Paulo.

 

Recentemente, Skaf antecipou a eleição de setembro para abril de 2011. Deve concorrer como candidato único a um novo mandato de quatro anos. Os críticos de Skaf alegam que a manobra busca evitar que outras chapas possam se formar a tempo.

 

Já a relação entre Duda Mendonça e Paulo Skaf antecede a campanha. Em 2009, sob comando de Skaf, a Fiesp contratou o publicitário como consultor. À época, Skaf era também garoto-propaganda de uma campanha de R$ 8 milhões para a promoção do Sesi/Senai. A cargo da agência Ogilvy & Mather Brasil, essa campanha foi custeada pelo Sesi (Serviço Social da Indústria) e pelo Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial).

 

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