De olho em 2010, Serra e Lula investem em ensino técnico

Se plano de ambos funcionar, 600 mil estarão matriculados no ano eleitoral

Julia Duailibi e Pedro Venceslau, O Estadao de S.Paulo

11 de novembro de 2008 | 00h00

De olho na corrida presidencial de 2010, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pretende eleger seu sucessor, e o governador de São Paulo, José Serra, potencial candidato do PSDB à disputa, travam uma batalha num campo até então pouco explorado: o ensino técnico e tecnológico. Em busca de um exército de milhares de estudantes, governos federal e estadual pretendem injetar bilhões de reais, nos próximos dois anos, na construção e ampliação de escolas técnicas e faculdades tecnológicas. Se o plano de ambos funcionar, essas instituições de ensino serão uma potência em 2010: alcançarão mais de 600 mil estudantes por meio de 602 unidades em todo o País - a maior parte em São Paulo. A título de comparação, há atualmente 180 mil alunos matriculados em unidades do governo federal e 122 mil em unidades estaduais. Até 2009, Serra pretende investir R$ 907 milhões no setor - foram R$ 678 milhões em 2008. Lula, que já disse a assessores que quer fazer do ensino técnico federal uma vitrine da sua gestão, pretende fechar o seu segundo mandato com R$ 836 milhões investidos - do total, R$ 350 milhões foram gastos em 2007. Esses recursos, no entanto, acabam por reeditar um choque conhecido na política brasileira: a semelhança - e às vezes colisão - entre programas do governos federal e estadual, como as dobradinhas Bolsa-Família x Renda Cidadã ou Farmácia Popular x Dose Certa, no caso de São Paulo. "Para não colidir, escolhemos preferencialmente regiões onde não há unidades do Estado. Quando acontece a colisão, procuramos abrir cursos que não existam. Esperamos que os Estados façam o mesmo", declarou Eliezer Pacheco, secretário de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação. Das 20 cidades em que o governo federal pretende abrir os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (leia na página ao lado), 12 já têm alguma estrutura do governo estadual voltada para esse tipo de ensino. É o caso de Catanduva e Itapetininga, por exemplo. "É natural que São Paulo receba mais escolas porque é o principal centro econômico do País", completou Pacheco. Para Alberto Goldman, vice-governador paulista e secretário de Desenvolvimento, responsável pelas instituições de ensino técnico paulista, o governo federal deveria repassar os recursos para o Estado investir, evitando, assim, sobreposição. "O governo federal começou a montar um monte de faculdade sem articulação com o Estado. Há, muitas vezes, duplicação de esforços, o que pode ser inútil", disse Goldman.EXÉRCITONo Estado de São Paulo, a oferta anual de vagas das faculdades tecnológicas, as Fatecs, já é superior à da USP e da Unicamp somadas. Nos últimos dois anos, foram criadas 21 Fatecs. Hoje são 47. Serra quer chegar a 2010 com mais cinco inauguradas. Em relação às escolas técnicas, que são cursadas durante o ensino médio ou após a sua conclusão, desde 2007 foram construídas 25, totalizando 151. Até 2010, serão 196 unidades.O presidente quer alcançar a meta de ter 354 "campi técnicos" e 500 mil vagas até 2010. "É um absurdo que em 100 anos neste país tenham sido feitas só 140 escolas técnicas. Como se formar os nossos adolescentes não fosse algo necessário", declarou Lula em julho. No Rio Grande do Sul, por exemplo, serão 15 unidades, "sendo que só uma delas localizada em uma cidade administrada do PT, em Bagé", ressalta Pacheco. "Adotamos como critério de escolhas as cidades que são pólo. Fizemos isso com o Ministério do Planejamento, IBGE e MEC. Incluímos Estados que não tinham nenhuma escola federal, como Acre, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e Rondônia."

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