De novo, Brasil quer destravar Rodada Doha

Na África, Lula afirma que países ricos têm de parar de tratar os países pobres como se fossem 'pedintes'

Leonencio Nossa, O Estadao de S.Paulo

17 de outubro de 2007 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem na República do Congo, segunda parada de seu giro pela África, que pretende forçar uma negociação para destravar a Rodada Doha, da Organização Mundial do Comércio (OMC). "Quero um grande acordo para que a União Européia facilite a entrada dos produtos dos países mais pobres e os Estados Unidos diminuam a quantidade de subsídios na agricultura interna. E os países em desenvolvimento, como o Brasil, flexibilizem seus produtos industriais", declarou Lula, ao lado do presidente do Congo, Denis Sassou-Nguesso.Ele ponderou, no entanto, que a flexibilização não pode causar danos às indústrias dos países emergentes. "O problema é que essa flexibilização tem que ser proporcional a cada país", disse. "O que estou propondo é que os países ricos parem de tratar os países pobres como se fossem pedintes", prosseguiu Lula, seguido de aplausos de autoridades.Depois, provocou risos quando comentou as boas relações de Nguesso com o Fundo Monetário Internacional (FMI). "Quem é presidente do FMI não pode ser amigo de ninguém", brincou. Lula disse que dirigentes de órgãos do FMI e da OMC não conhecem a realidade da América do Sul e da África, pois "nunca" pisaram em países em desenvolvimento.O presidente comemorou a decisão da OMC de considerar ilegais, em relatório divulgado ontem, os subsídios aplicados pelos EUA aos produtores de algodão. "Isso é o que podemos chamar de vitória da unidade", disse. "A verdade verdadeira é que falar em livre comércio é muito mais fácil que praticar."Em sua fala no palácio do governo, Nguesso afirmou que a simpatia da população do Congo pelo Brasil vem de 1967, quando o Santos, tendo Pelé como destaque, disputou uma partida em Brazzaville.Ele lembrou, ainda, a visita que fez à Bahia. "Estava na praia e vi que era o mesmo povo."

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