De gigante a nanico, sem perder o DNA

ANÁLISE: Carlos Melo

O Estado de S.Paulo

03 Abril 2015 | 02h05

O Partido Progressista foi PDS e, antes, Arena, esteio dos militares definido por Francelino Pereira como "o maior partido do ocidente". Englobava elites regionais e setores que enxergavam no regime de exceção o instrumento para "salvar o País do proclamado caos" a que estaria entregue no início dos anos 1960. Sucumbiu aos poucos.

Na transição do regime militar para o civil, já PDS, dividiu-se em facções nominadas por candidatos a candidatos à sucessão do general João Figueiredo (1979-1985). Derrotado por Tancredo Neves, Paulo Maluf, vencedor da convenção governista que disputaria o Colégio Eleitoral, perdeu também a unidade do "grande partido", mas viu seu nome elevado ao status corrente política, o malufismo.

Por muito tempo Maluf personalizou e se sobrepôs ao PP. Eleitoralmente, fortíssimo nos 1990 e influente nos anos 2000, o ex-governador expressava o conservadorismo, a nostalgia - à época tímida - do regime militar e o fisiologismo que moldou quase todo o sistema partidário nos anos que se seguiram. A influência do "Dr. Paulo", herdeiro do "rouba mas faz", foi tão extraordinária que tanto FHC quanto Lula dobraram-se a ela.

A experiência desastrosa de Celso Pitta, invenção de Maluf, fez a influência do criador minguar; seu espaço foi ocupado pelo discurso conservador de tucanos e por práticas populistas de petistas. Junto com Maluf, o PP perdeu importância e restou como mera legenda de apoio ao governismo em qualquer tempo e lugar, entregando-se com voracidade ao controle de parcelas da máquina estatal.

Figuras como Ciro Nogueira e Mário Negromonte assumiram sua direção sem rejeitar o resiliente malufismo, agora sem Maluf, que ainda carregam. Alvejados, já não mais cumprem seu papel. O certo é que não surpreende o envolvimento do PP em tantos quiproquós.

Está no seu DNA e na sua história.

CIENTISTA POLÍTICO E PROFESSOR DO INSPER

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