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José Roberto de Toledo
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De fora a fora, FHC a Dilma

Como previsto, Dilma Rousseff experimenta o "efeito FHC" no começo de seu segundo governo. A popularidade da petista descreve a mesma curva descendente e abrupta que o tucano traçou 16 anos atrás. Ambos trocaram o patamar de 40% de ótimo/bom no final do primeiro mandato por 44% de ruim/péssimo no começo do segundo governo, segundo o Datafolha. A diferença é que Dilma está caindo ainda mais rápido do que Fernando Henrique caiu.

José Roberto de Toledo, O Estado de S.Paulo

09 Fevereiro 2015 | 02h01

FHC demorou de setembro de 1998 a junho de 1999 para inverter o sinal e sair de um saldo positivo de 26 pontos para um déficit de 28 pontos em sua popularidade. Dilma precisou de cinco meses a menos para converter 22 pontos de saldo em 21 pontos de déficit. Se a história se repetir, há dois fatos a lembrar: a impopularidade de FHC aumentou muito antes de começar a cair, e ele nunca mais recuperou o prestígio do primeiro mandato.

Em setembro de 1999, 56% dos brasileiros diziam ao Datafolha que o governo Fernando Henrique era ruim ou péssimo, contra só 13% que o consideravam bom ou ótimo. Foi o pior momento do tucano. Dezenas de milhares faziam manifestações contra o presidente, os sindicatos e a oposição ameaçavam parar o País com uma greve geral, e deputados do PT diziam que o presidente deveria renunciar. Uma década e meia depois, inverteram-se os papéis.

Do "Fora FHC" ao "Fora Dilma", o que ambos os presidentes fizeram de parecido para dividir um histórico tão semelhante junto à opinião pública? Por que viram seu poder evaporar tão cedo? Os dois quebraram as expectativas econômicas da população.

Nos dois momentos, os brasileiros perderam poder de compra e ficaram mais pessimistas em relação à inflação e ao emprego - embora os dois presidentes-candidatos prometessem o contrário.

Durante ambas as campanhas pela reeleição, a petista e o tucano jogaram com a incerteza provocada pela mudança do poder. Exageraram o risco em caso de vitória do rival. Apelaram ao mais básico instinto do eleitor, o medo. A mensagem de fundo das duas campanhas era "o que está ruim pode ficar pior". Pois ficou. Na época de FHC, o PT popularizou a expressão "estelionato eleitoral". Agora, é a vez de os tucanos resgatarem o termo.

Se o miolo do enredo é parecido, o desfecho é ainda incerto. Aos trancos, FHC terminou seu segundo mandato - embora tão por baixo que foi esquecido por três campanhas presidenciais seguidas do PSDB: 2002, 2006 e 2010. Só foi ser resgatado por Aécio Neves em 2014. Ainda assim, com o mesmo sucesso. E Dilma?

É provável que, como FHC, ela experimente uma piora de sua avaliação antes de ter chance de melhorar. O tucano enfrentou o racionamento de energia quando se recuperava. Dilma terá pela frente o racionamento de água, ao menos. Embora as manchetes sejam todas para os escândalos de corrupção, será o volume da caixa d'água e, principalmente, do bolso do eleitor que determinará o futuro da presidente. Nem Marchiori, nem Youssef, nem Cunha. Dilma depende é de Levy - e de São Pedro.

Censura, de novo. Como não há nada mais importante acontecendo no Brasil, o primeiro pedido de CPI a conseguir assinaturas suficientes para ser apresentado ao novo presidente da Câmara dos Deputados foi contra as pesquisas eleitorais. Seu autor quer "apuração matemático-estatística" - seja lá o que signifique - sobre suposta manipulação de resultados. Ao mesmo tempo, o deputado apresentou projeto de lei para proibir a divulgação de pesquisas até 15 dias antes das eleições.

O argumento para justificar o obscurantismo é o mesmo de sempre: você, eleitor, é, no fundo, um idiota. Incapaz de pensar por si próprio, deixa-se levar por qualquer porcentagem. Logo, é preciso vedar os olhos e tapar os ouvidos do eleitor para que ele não seja influenciado. Seguindo nesse raciocínio, que tal proibir a propaganda dos candidatos e acabar com o horário eleitoral na TV?

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