De Brasília a Bali para ''''salvar o clima''''

Missão mobiliza 11 parlamentares

Rosa Costa, O Estadao de S.Paulo

24 de novembro de 2007 | 00h00

Instalada em março, a comissão de deputados e senadores para "acompanhar, monitorar e fiscalizar ações referentes às mudanças climáticas no Brasil" tem custado caro ao contribuinte. Enquanto estuda o assunto, a comissão remeteu uma comitiva de 11 parlamentares e 3 assessores em "missão externa" a Londres; agora mandará outra a um destino digno de um verão dourado - Bali, na Indonésia, onde haverá a 13ª Conferência da ONU sobre Mudanças do Clima. No Brasil, a comissão já viajou a dez Estados para apreciar e estudar o clima de cada um deles, sempre devidamente acompanhada de assessores e equipes da TV, do jornal e da Agência Senado. Só no Senado, as despesas com diárias já passam de R$ 50 mil e os gastos com passagem superaram os R$ 60 mil. Esses gastos, explicou o relator da comissão, senador Renato Casagrande (PSB-ES), se devem a uma agenda "bastante intensa". Ele é um dos que vão a Bali, no que, confessa, será sua primeira viagem internacional.O nome do deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) aparece como um dos que viajaram a Londres, mas ele nega ter ido. Admite, no máximo, ter feito uma viagem ao Recife para aprender sobre a elevação das marés. Mas garante ter pago sua passagem.Além de cara, a comissão tem atribuições que se superpõem às de duas outras subcomissões do Senado sobre mudanças climáticas: a que faz o acompanhamento internacional sobre mudanças climáticas e a subcomissão sobre aquecimento global.Casagrande explica que não há superposição: o trabalho das duas foi suspenso quando a nova começou a operar. Mesmo assim, o tema "clima" parece repetir agora, no Senado, o modismo que imperou em 1996, logo após a clonagem da ovelha Dolly, e que multiplicou as subcomissões sobre o assunto.Como se não fosse pouco, assessores do Senado negam respaldo regimental para a criação da comissão, porque ela teria sido criada por ato conjunto dos presidentes do Senado e da Câmara, sem ser votada em sessão conjunta, como obriga o Regimento Comum do Congresso.

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