De 12 siglas em formação, só 1 é pró-governo

Partidos em fase de colher assinaturas se dizem defensores da família e ‘contra a corrupção’

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

10 Maio 2016 | 17h48

E se o Congresso Nacional fosse outro? A presidente Dilma Rousseff teria melhores chances de escapar do processo de impeachment se, em vez de PMDB, PSDB, PP, PRB e outros, Câmara e Senado fossem constituídos por legendas novas – aquelas que ainda buscam assinaturas para completar seus respectivos processos de criação? A resposta é não. Com os partidos ainda em formação, a história estaria seguindo o mesmo e previsível roteiro.

Vamos ao placar: dos 18 partidos em formação, registrados no site do Tribunal Superior Eleitoral, dez são favoráveis ao afastamento da presidente, um é contra e outro diz não ter deliberado o suficiente para se manifestar. Os seis partidos restantes ou não quiseram se manifestar ou seus representantes não foram encontrados pela reportagem.

A favor do impeachment estão as seguintes quase legendas (algumas inéditas e outras reencarnações de partidos que já tiveram um passado na política nacional): IDE (Igualdade), PDC (Partido Democrata Cristão), PMP (Partido da Mobilização Nacional), PSN (Partido da Solidariedade Nacional), Patri (Patriotas), PE (Partido do Esporte), FB (Força Brasil), RDP (Real Democracia Parlamentar), PSPB (Partidos dos Servidores Públicos e Dos Trabalhadores da Iniciativa Privada do Brasil) e Prona (Partido da Reedificação da Ordem Nacional).

A maioria desses partidos se declara de “direita”, “defensora da família” e “contra a corrupção”. Também é possível encontrar quem defenda um “chefe de Estado hereditário” e causas específicas, como o “esporte” e os “animais”.

Renascença. O PDC e o Prona são partidos redivivos. O primeiro, segundo o seu presidente Francisco de Assis Mariano dos Santos, pretende recuperar as bandeiras e o estatuto da década de 1940. “O mundo era mais dividido naquela época, mas, do restante, podemos aplicar as mesmas ideias de antes”, afirma. Marcelo Vivório, do Prona, avisa que tudo o que o Dr. Enéas, fundador da legenda, disse está se confirmando. “Somos um partido de direita e temos o legado de Enéas como farol”, fala Vivório.

Entre os novos, o partido da Real Democracia Parlamentar, presidido pelo comendador Antônyo Cruz, apoia a saída da presidente e o parlamentarismo. “O partido é a favor de um parlamentarismo puro, com um chefe de Estado hereditário. Pode ser alguém da família real, um descendente de d. Pedro, ou uma nova dinastia”, diz. “Também temos especial atenção com os militares.”

Quase na mesma linha vão os Patriotas (Patri). “Nosso símbolo é a bandeira, nossos membros têm especial amor pelo País. Somos pela família, meritocracia e qualificação dos serviços públicos”, diz o representante da sigla, José Roberto de Castro.

O Força Brasil defende o fim da imunidade parlamentar e a livre-iniciativa. O Partido da Solidariedade Nacional é “cristão, humanista e defensor dos animais”. O Partido do Esporte seria formado por amantes do esporte e da educação.

Desse universo, Dilma teria o apoio solitário do Partido Popular de Liberdade de Expressão Afro-Brasileira, o PPLE. Dos partidos que se manifestaram sobre o assunto, esse foi o único que assumiu seguir “uma doutrina política de esquerda”. “Nossa base são os movimentos sociais e as comunidades pobres e de matriz africana”, diz o assessor de comunicação do partido, Antônio Obafemi Garrido.

Os partidos foram contactados pelos telefones disponíveis no próprio site do TSE. Vários recados foram deixados, mas não houve resposta. Aparentemente, são partidos que morreram antes de nascer.

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