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Davos quer que Dilma use Forum Econômico para deixar de ser 'incógnita'

Nele, a candidata poderá explicar aos maiores empresários do mundo sua política econômica e seu plano de governo para os próximos 4 anos

Jamil Chade, de O Estado de S.Paulo

02 de novembro de 2010 | 17h46

GENEBRA - O Fórum Econômico Mundial quer que a presidente eleita Dilma Rousseff vá até a estação de esqui de Davos na Suíça em janeiro para explicar aos maiores empresários do mundo sua política econômica e seu plano de governo para os próximos quatro anos. Considerados por muitos empresários estrangeiros ainda como uma "incógnita", Dilma já foi contactada pelos organizadores do evento para que garanta sua primeira apresentação ao setor privado internacional. Caso Dilma faça de fato o percurso até a Suíça, essa seria uma das primeiras viagens internacionais como presidente.

 

Nos últimos anos, o Fórum de Davos usou a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para lustrar seu próprio brasão. Lula, em 2003, aceitou ir tanto a Davos como ao Fórum de Porto Alegre, marcado por seu discurso antiglobalização. Desde então, os organizadores de Davos passaram a tratar o líder brasileiro como o "queridinho" do encontro internacional.

 

No início deste ano, Lula receberia o prêmio de estadista do ano, dado por Davos. Mas acabou cancelando sua viagem por uma indisposição.

 

Agora, Davos espera que Dilma use a plataforma do encontro com uma parte significativa do PIB mundial para dar sinais do que vai mudar em sua política, em comparação à de Lula.

 

Para Davos, Lula se "apresentou" aos líderes empresariais na estação de esqui, quando ainda era considerado como certo receio por alguns. Agora, segundo os organizadores, seria a vez de Dilma. BCs de todo o mundo, empresários e analistas do mercado esperam para saber não apenas qual será a política econômica de Dilma, mas também quem ocupará cada um dos cargos chave.

 

Em uma semana, na Basileia, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, deve também explicar aos xerifes das finanças mundiais que o novo governo não apresentará choques ou uma reforma de sua estratégia.

 

O Banco de Compensações Internacionais (BIS) realiza sua última reunião do ano com o presidente do Fed, Ben Bernanke, com o presidente do BC europeu, Jean Claude-Trichet, e com outros peso-pesados das finanças. A esperança do BIS é de que Meirelles de sinais do que pode ser o plano econômico de Dilma, principalmente em relação à inflação, estratégias de crescimento da economia e, acima de tudo, políticas de controle de capital adotados nos últimos meses pelo Brasil.

 

"Sabemos que a intenção do governo é de usar o encontro na próxima semana para dar certas pistas de qual será o novo caminho do Brasil. Obviamente que, uma semana depois das eleições, é difícil ter já formado um governo", explicou um alto funcionário do BIS, que pediu para não ser identificado. "Mas seria ótimo que, em nossa próxima reunião, o Brasil já viesse preparado a mostrar qual será a equipe que terá em 2011", disse.

 

Dilma assumirá o governo em um momento em que a pressão sobre os mercados emergentes deve ficar ainda mais intensa. A liquidez de dólares no mercado internacional tem criado uma situação de ameaça de bolha financeira, com um volume substancial de dinheiro especulativo entrando no Brasil.

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