Davos e Porto Alegre: briga titânica

Com a frase "o Brasil dos pobres assume o comando da frente antiglobalização" o jornal francês La Tribune, especializado em cobertura econômica, explicou o Fórum Mundial Social, realizado em Porto Alegre, que, assim como Davos, encerrou hoje o segundo dia. Em Davos, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, fez uma defesa inflamada dos EUA e do FMI ao criticar o prefeito de Tóquio, Shintaro Ishiara, em um debate sobre a crise dos mercados japoneses em 1997. "No meu emprego anterior, como investidor, eu pude acompanhar de perto o que aconteceu.", disse ele. Em Porto Alegre, o presidente de honra do PT, Luís Inácio Lula da Silva, disse que é a favor da globalização, embora faça críticas pontuais e defenda mudanças. Lula foi aplaudido de pé.O dia em Porto Alegre foi aparentemente mais agitado que em Davos. Logo pela manhã, o economista argentino Jorge Benstein empolgou os participantes do Fórum Social, com o idéia que o capitalismo está vivendo a pior crise de sua história. Segundo Benstein, o capitalismo está "demente e senil." "Isso nos dá esperança de um novo horizonte", disse ele. Em outra fala, o chileno Orlando Caputto, diretor do Centro de Estudos sobre Transnacionalização, utilizou tabelas, gráficos e uma linguagem acadêmica para analisar que uma crise cíclica do capitalismo se aproxima. O que segundo ele poderá desencadear uma crise mundial, fazendo com que os países da América Latina não honrem o pagamento da dívida externa. Ele não falou em moratória, mas em "crise da dívida".À tarde, a Polícia Federal proibiu o ex-padre Olivério Medina, porta-voz das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), de falar em público no Fórum Social. Medina está impedido de participar de atividades políticas no Brasil. Em setembro do ano passado, ele foi preso em Foz do Iguaçu sob acusação de estar ilegal no País. A presença das Farc no Fórum Social causou mal-estar na reunião de Porto Alegre, pois muitos integrantes do comitê de organização não sabiam da participação do grupo guerrilheiro. Medina foi substituído, na última hora, por Javier Cifuentes, que integra a comissão político-diplomática do grupoguerrilheiro. Cifuentes disse que a organização guerrilheira não representa risco para os países vizinhos e defendeu, numa agitada entrevista coletiva, a soberania dos países latino-americanos e criticou as tentativas de intervenção militar dos Estados Unidos na região.Em Davos, Fraga afirmou mais uma vez sua convicção no pleno poder da economia americana. "O cenário pior, o cenário de uma profunda e prolongada recessão nos EUA, é muito pouco provável", afirmou. Fraga aproveitou a entrevista coletiva na cidade suíça para reafirmar sua certeza de que crescimento brasileiro neste ano ficará na faixa de 4,5% e dentro da meta inflacionária de 4%. Os demais indicadores, como a taxa de desemprego, segundo Fraga, também são muito favoráveis.ConfrontoPara amanhã, o confronto entre os participantes dos Fóruns Econômico (Davos) e Social (Porto Alegre) Mundiais já tem hora marcada: às 16h deste domingo. A discussão entre cinco representantes de cada um dos grupos será feita pela Internet, mas ainda não se divulgou se o acesso será liberado na rede mundial de computadores ou ficará limitado aos participantes dos dois fóruns. Em Porto Alegre, o confronto será exibido por meio de um telão em um auditório.A briga promete porque cada um dos lados convocou debatedores peso-pesados para atacar ou defender a globalização e o neoliberalismo. Na cidade de Davos (Suíça), estará, por exemplo, o presidente da Organização Mundial do Comércio (OMC), Mike Moore. Um dos debatedores de Porto Alegre (RS) será o presidente do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), João Pedro Stédile. "É um duelo de titãs", resumiu o coordenador brasileiro da tele-conferência, o acadêmico Carlos Tibúrcio. Além do presidente da OMC, a presença do mega-investidor George Soros é tida como garantida. Os outros debatedores seriam dois representantes do Fundo Monetário Internacional e outro, da OMC. Por parte do Anti-Davos, o diretor-geral da revista "Lê Monde Diplomatique", Bernard Cassen.Saiba tudo o que acontece em Davos e Porto Alegre21h53 - CUT promete fazer a "Seattle do Sul" 21h39 - EUA e Japão ditam rumos da economia global 21h08 - Lula dá testemunho pessoal no Fórum de Porto Alegre 19h21 - ONGs protestam contra repressão em Davos 17h57 - Parlamentar suiço chama de "cretinice" a repressão em Davos 17h26 - Suiços protestam em Porto Alegre contra repressão em Davos 17h08 - OMC pode ter nova rodada global de negociações 17h01 - Polícia contém manifestantes em Davos 17h00 - Espanhol propõe, no Fórum Social, "refundar" a esquerda 16h48 - México vai investir na integração indígena 22h54 - Via Campesina quer união contra transgênicos 22h30 - Marta vira "estrela" do Fórum Social 22h40 - Para o Fórum, era atual é da "globocolonização" 19h57 - Porto Alegre e Davos se confrontam no domingo 15h55 - Agricultores contra transgênicos em Porto Alegre

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