Carolina Antunes/PR
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Datena sinaliza que prefere disputar o governo em 2022 do que a Prefeitura este ano

Candidatura à Prefeitura de São Paulo não está descartada; decisão final será tomada no mês que vem

Pedro Venceslau, Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

06 de fevereiro de 2020 | 12h55

O apresentador José Luiz Datena, 62 anos, decidiu que vai anunciar a decisão sobre seu futuro político no dia 15 de março, mas sinaliza que sua preferência é por disputar uma vaga no Senado ou governo paulista em 2022 em vez de tentar a Prefeitura de São Paulo esse ano. "Se o Luciano Huck pode ser candidato a presidente, por que eu não posso ser candidato a governador? Está tudo em aberto. Posso me filiar a um partido agora para disputar o Senado ou governo, mas a prefeitura não está descartada", disse ele ao Estado.

Embora seja o nome preferido do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para a eleição na capital, Datena rejeita a ideia de ser o candidato oficial do Palácio do Planalto e cogita a possibilidade de fazer uma dobradinha com o ex-governador Márcio França (PSB), com quem vem mantendo conversas regulares. "Está em aberto minha filiação a um partido que possa se interessar. Não descarto o partido do Márcio França", afirmou o jornalista, que também cita o Progressistas como possibilidade.

"Datena seria muito bem-vindo no PSB", pontuou o deputado estadual Caio França (PSB), filho de Márcio França.

Outro cenário seria o apresentador ingressar no Aliança pelo Brasil, partido que o clã Bolsonaro tenta criar. Mas como é cada vez mais remota a possibilidade da legenda conseguir as 492 mil assinaturas exigidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até o dia 4 de abril, data limite para disputar as eleições municipais, Datena passou a negociar também com o MDB por intermédio do empresário Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp). Filiado ao MDB, Skaf é o articulador do Aliança em São Paulo.

A conversa, porém, esbarrou na aproximação do MDB paulistano com o prefeito Bruno Covas (PSDB), que disputará a reeleição com o apoio do governador João Doria (PSDB). "Da parte do MDB da capital, nossa conversa com o Bruno está bem avançada. Só falta pegar na mão. O Datena nunca me telefonou", disse o vereador Ricardo Nunes, presidente do diretório do MDB da capital.

Ausência sentida

Embora tenha canal direto com o presidente Jair Bolsonaro, o jornalista rejeita a ideia de ser o candidato oficial do Palácio do Planalto em uma eventual disputa esse ano.

Datena era esperado por Bolsonaro e Skaf no palanque da cerimônia de lançamento da pedra fundamental do primeiro Colégio Militar de São Paulo, que será construído em um terreno ao lado do Campo de Marte, zona norte da capital, na segunda-feira, 3.

No evento que selou publicamente a aliança política entre Bolsonaro e o presidente da Fiesp, a ausência do jornalista foi “notada”, segundo um dos integrantes da comitiva presidencial. Quem acabou subindo no palanque foi outro pré-candidato, o deputado federal Celso Russomanno (Republicanos), que após o evento seguiu para um almoço na Fiesp no mesmo veículo que o presidente da República e Skaf.

Datena também estava na lista de convidados do almoço, mas não compareceu. Dessa vez, foi o pré-candidato do PSD, Andrea Matarazzo, que integra a direção da Fiesp, que aproveitou a circunstância para conversar com Bolsonaro, tirar uma foto ao seu lado e publicar nas redes sociais.

O presidente e o apresentador acabaram se encontrando rapidamente nos corredores da TV Bandeirantes antes do retorno da comitiva a Brasília. "E aí, Datena, pronto para a batalha?", brincou Bolsonaro. Eles, porém, não tiveram tempo de falar de política. Ao se ausentar das agendas com Skaf e Bolsonaro, os dois maiores incentivadores de sua candidatura, Datena reforçou a avaliação no entorno de ambos de que vai desistir novamente de entrar na corrida eleitoral. Por outro lado, sinalizou que, caso decida entrar no jogo, será um candidato "independente".

Pelo projeto traçado na sede da Fiesp e no Palácio do Planalto, Datena sairia candidato pelo Aliança e contaria com o apoio engajado de Skaf e Bolsonaro. Caso a legenda bolsonarista não saia do papel até 4 de abril, o apresentador então poderia disputar pelo MDB.

Exame

O jornalista foi fazer um exame de rotina no Hospital Sírio-Libanês, na semana retrasada, e acabou passando por um procedimento de cateterismo. Questionado sobre o peso do cirurgia em sua decisão, ele disse que agora está mais forte que nunca, tanto que voltou ao seu programa pouco tempo depois de deixar o hospital.

Políticos de São Paulo avaliam, porém, que a cada dia a indecisão de Datena - que em 2018 se filiou ao DEM e chegou ao anunciar que disputaria o Senado, mas desistiu na última hora - torna mais difícil a construção de sua candidatura. Os dirigentes partidários estão ansiosos por formar sua chapa de vereadores e articular alianças.

Sem outro nome competitivo no campo da centro-direita, Covas conseguiu formar um arco de alianças com pelo menos 6 legendas, o que reduziu a oferta de partidos para Datena. Se o jornalista e o Aliança ficarem fora da disputa, o bolsonarismo (Paulo Skaf incluído) terá que buscar outros nomes para enfrentar a esquerda e, principalmente, os pré-candidatos alinhados com João Doria. São eles, além de Covas, Joice Hasselmann (PSL) e Felipe Sabará (Novo). Doria é visto pelo Planalto como possível adversário de Bolsonaro na eleição presidencial de 2022.

 

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