Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Datena avisou ministro de que iria abrir mão de apoio de Bolsonaro na eleição

Apresentador ligou ao general Luiz Eduardo Ramos para avisar que o liberava de apoio no pleito municipal em SP

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2020 | 22h40

BRASÍLIA - Antes de anunciar a intenção de se filiar ao MDB e a possibilidade de ser candidato a vice na chapa do prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), o jornalista José Luiz Datena fez questão de dar uma satisfação ao presidente Jair Bolsonaro. A gentileza do aviso teve motivo: a candidatura de Covas é apoiada pelo governador João Doria, um dos maiores rivais do presidente. 

No domingo passado, Datena ligou para o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, com quem tem relação estreita criada quando ele era Comandante Militar do Leste, em São Paulo. A possibilidade de integrar a chapa tucana, porém, não foi mencionada na conversa.

O apresentador disse ao ministro que "gostava muito do presidente", mas que o liberava de o apoiar na eleição municipal deste ano. Avisou ainda que estava estudando se filiar a um partido, sem citar qual seria. Segundo apurou o Estado, Bolsonaro compreendeu a decisão do apresentador e viu na comunicação prévia um gesto de respeito.

O presidente tem afirmado a seus interlocutores que não pretende se envolver em qualquer campanha política neste ano. A ideia inicial é que ele fique fora dos palanques no primeiro e no segundo turno. A intenção é evitar que, caso o candidato apoiado vença e faça uma má administração, a culpa caia no seu colo e atrapalhe os seus planos para 2022.

No Palácio do Planalto, assessores do presidente lembram que o senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) está pagando por ter subido no palanque do governador Wilson Witzel (PSC), eleito na onda do bolsonarismo, mas que depois se tornou um adversário político. "Por isso mesmo, é melhor não apoiar”, tem repetido o presidente.

Bolsonaro tem recusado, inclusive, pedidos para fotos ou vídeos ao lado de possíveis candidatos. Com isso, quer evitar o uso de sua imagem nas eleições, de forma que possa ser considerada indevida.

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