Das outras vezes, ex-presidente não cumpriu promessas

Reforma administrativa que anunciou quando presidia Senado é um dos exemplos que não saíram do papel

Rosa Costa, Brasília, O Estadao de S.Paulo

30 de janeiro de 2009 | 00h00

Eleito duas vezes para a presidência do Senado, em 1995 e 2003, o senador José Sarney (PMDB-AP) fez promessas nos discursos de posse que não se concretizaram. Ele não conseguiu fazer as reformas política e tributária, que considerava "fundamentais". O parlamentar tenta agora se eleger pela terceira vez, disputando com o senador Tião Viana (PT-AC). Veja a sucessão dos presidentes do SenadoEntenda como funciona a disputa no Congresso Opine: Quem vai levar a eleição no Congresso?Nas vezes anteriores, Sarney prometeu fazer "uma grande a abrangente reforma administrativa da Casa" e a agir "sem contemplação com os erros e disposto a punir todos aqueles que, de um modo ou de outro, traírem o mandato que o povo lhes conferiu". Hoje, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que foi alvo de cinco processos por quebra de decoro parlamentar, é seu principal cabo eleitoral na disputa do cargo.Sarney foi presidente da Casa nos primeiros anos de governo dos presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. Aos presidentes, o senador se disse empenhado em disponibilizar o Senado para ajudá-los a dirigir o País. A FHC, com quem se desentendeu nos dois últimos anos de gestão, prometeu no ato de posse fazer do Senado "uma alavanca de apoio para os projetos de reforma e de construção das esperanças" que levaram o tucano à Presidência. "Suas qualidades de político, de intelectual, de democrata o credenciam a nossa admiração e é nosso desejo ajudá-lo a ajudar o País."Já para Lula, com quem ainda mantém boas relações, foi pródigo em elogios, a ponto de afirmar que a sua biografia era "uma referência do Brasil para o mundo democrático". "Referência de nossos avanços nas oportunidades de participar e decidir, de ascensão social, da força de trabalho", frisou. "O Senado será um dos pilares deste momento político e cumprirá sua missão histórica de harmonizar conflitos e buscar sempre e em tudo atender ao interesse político", prometeu.MPsNo discurso de 1995, Sarney fez ressalva ao uso de medidas provisórias. Disse que, com a experiência de um ex-presidente, sabia que, "sem elas, é impossível governar e, com elas, é impossível a existência de um Congresso dinâmico". E completou: "O que está ocorrendo é a proliferação das atividades periféricas."Na posse de 2003, ele não faz nenhuma referência às MPs. Ao contrário, há alusões quanto à necessidade de os dois Poderes trabalharem unidos. "A agenda do Executivo indica tempo de trabalhos e desafios e que cabe juntar as vontades do Executivo e Legislativo e enfrentar e vencer as pressões." A assessoria de Sarney fez uma única ressalva ao que foi prometido. Lembrou que ele encomendou uma reforma administrativa à Fundação Getúlio Vargas, mas disse não saber se a proposta foi concretizada.

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