Darci assinou convênios quando Barjas estava na Saúde

O Supremo Tribunal Federal (STF) deverá julgar nesta quarta-feira, 8, o processo em que os empresários Vedoin, donos da Planam, empresa envolvida na máfia dos sanguessugas, reclamam a competência do STF para processar e julgar crimes envolvendo deputados federais. O tribunal havia negado o seguimento da reclamação, já que Darci Vedoin e seu filho Luiz Antonio Vedoin, acusados de liderarem o esquema de superfaturamento de ambulâncias com recursos da União, não são parlamentares, e, portanto, não possuem o direito ao foro privilegiado. Documentos obtidos pela CPI dos Sanguessugas mostram que o empresário Darci Vedoin assinou como procurador de sete prefeitos de Mato Grosso convênios com o Ministério da Saúde. Todos foram firmados no dia 20 de dezembro de 2002, época em que a pasta era comandada pelo tucano Barjas Negri, hoje prefeito de Piracicaba, segundo noticiou nesta quarta-feira o Estado. As empresas fornecedoras das ambulâncias - Klass - e do equipamento hospitalar - Enir Rodrigues - são de propriedade da família Vedoin, apontada como chefe do esquema.A assinatura de Barjas aparece ao lado da de Darci, pai de Luiz Antonio Vedoin. ´Se o prefeito deu procuração para outras pessoas, não era de meu conhecimento. Isso seria surpreendente. Se ocorreu, não deveria ocorrer´, afirmou na terça-feira o ex-ministro, durante seu depoimento à CPI dos Sanguessugas. O tucano observou, no entanto, que na maioria das vezes ele assinava os convênios antes dos prefeitos. ´Eu assinava entre 2 mil e 3 mil convênios por ano. A maior parte era remetida aos parlamentares para que eles recolhessem a assinatura dos prefeitos´, explicou Barjas.As sete cidades mato-grossenses que tiveram Darci como procurador são: Barra dos Bugres, Campos de Júlio, Nortelândia, Água Boa, Nobres, Claúdia e Tapurah. Outro dado que chamou a atenção dos integrantes da comissão parlamentar de inquérito é que as assinaturas dos prefeitos são todas reconhecidas em um mesmo cartório de Cuiabá. Além disso, as datas das procurações são de 20 de dezembro de 2002, mesmo dia em que foram firmados os convênios com o Ministério da Saúde, em valores que variavam de R$ 90 mil a R$ 130 mil.EmpresárioA CPI também quer apurar se há alguma relação entre esses convênios e cheques encontrados na conta do empresário Abel Pereira, que teria sido beneficiado durante a gestão do ex-ministro na Saúde. Rastreamento bancário feito pela Polícia Federal detectou cheques para Abel da empresa Klass Comércio e Representação Ltda.Em depoimento à PF, Luiz Antônio afirmou que o empresário de Piracicaba teria recebido propina conforme os recursos eram liberados para a compra de ambulâncias. À comissão parlamentar, na terça, Barjas negou a acusação.Com Eugênia Lopes

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.