Dantas falou à CPI porque ambiente era tranqüilo, diz advogado

Banqueiro fez declarações embora estivesse assegurado com habeas-corpus do STF para ficar calado

Agência Brasil

15 de agosto de 2008 | 13h01

O dono do Banco Opportunity, Daniel Dantas, só falou à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Escutas Telefônicas Clandestinas da Câmara dos Deputados, no dia 13 deste mês, porque "percebeu um ambiente, grosso modo, muito mais tranqüilo do que um ambiente judicial", disse na noite de nesta quinta-feira o advogado que o defende, Nélio Machado, ao comparar a atitude de seu cliente na última quarta-feira com a postura de ontem, na Justiça Federal .  Veja Também:Senador do DEM deve depor em defesa de Dantas, diz advogado Entenda como funcionava o esquema criminoso Veja as principais operações da PF desde 2003 As prisões de Daniel Dantas Repetindo estratégia adotada em seu primeiro depoimento ao juiz Fausto De Sanctis e nos três interrogatórios concedidos ao delegado Protógenes Queiroz na Polícia Federal, Dantas também se manteve em silêncio ontem, quando teve oportunidade de se pronunciar antes dos depoimentos dos delegados Protógenes Queiroz e Victor Hugo Ferreira, tomados durante todo o dia pelo juiz. Os dois delegados foram arrolados pelo procurador Rodrigo de Grandis como testemunhas de acusação no caso que investiga tentativa de suborno ao delegado Victor Hugo Ferreira, que teria sido feita a mando de Dantas para retirar o seu nome como investigado na Operação Satiagraha. Segundo Machado, Dantas não falou à Justiça porque haveria "muitas imperfeições" no processo em que é réu. Mas na CPI, de acordo com ele, "a questão foi mais abrangente" e deu "espaço para que Daniel [Dantas] revelasse alguns episódios em que há toda evidência de que ele foi objeto e alvo de grampeamento (referindo-se ao caso que ficou conhecido como Kroll)". Apesar de Hugo Chicaroni - que também é suspeito de tentar subornar o delegado - ter confirmado em depoimento à Polícia Federal a tentativa de suborno, a defesa passou depois a usar a argumentação de que o delegado Protógenes Queiroz, que conduziu a Operação Satiagraha, e o delegado Victor Hugo é que teriam pedido o pagamento do suborno. O procurador Rodrigo de Grandis informou que os dois delegados negaram essa hipótese no depoimento ao juiz. "Confirmaram o oferecimento de vantagem indevida, de propina, a fim de que se excluísse e se abafasse o caso em relação a Daniel Dantas e outras pessoas do grupo Opportunity", disse de Grandis.

Tudo o que sabemos sobre:
Operação SatiagrahaDaniel Dantas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.