Dantas diz que 'facções do governo' o perseguem por BrT

Banqueiro acusa Palocci, Dirceu e Gushiken de participar dessa 'facção'; ele depõe à CPI dos Grampos

Agência Brasil

13 de agosto de 2008 | 19h56

depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Escutas Telefônicas Clandestinas da Câmara, o banqueiro  Daniel Dantas, dono do Banco Opportunity, e principal acusado na Operação Satiagraha, da Polícia Federal, se disse perseguido por "facções do governo", que teriam interesse no controle da Brasil Telecom.   Veja Também: Protógenes disse que ia investigar filhos de Lula, diz Dantas 'Não tenho menor dúvida de que fui grampeado', diz Dantas Entenda como funcionava o esquema criminoso  As prisões de Daniel Dantas Juiz do caso Dantas nega ter autorizado grampo no STF   "Em 2002, fui avisado que o novo governo iria entrar em guerra contra mim. Depois eu percebei que não era o governo, mas facções do governo, que teriam interesse em manter o controle da Brasil Telecom", disse o banqueiro.   Dantas citou o nome de três petistas que fariam parte dessa facção: o ex-ministro e deputado federal cassado José Dirceu; o ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci, que atualmente exerce mandato de deputado federal; e o ex-ministro Luiz Gushiken (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República).   "Identifico o ex-ministro Gushiken e seus colaboradores, Dirceu e Palocci", disse Daniel Dantas aos membros da CPI.   Entenda a disputa pela BrT   O engenheiro e economista Daniel Dantas, de 54 anos, entrou para cena nacional durante a privatização do sistema Telebrás, em 1998, no governo Fernando Henrique Cardoso. Como dono do Banco Opportunity, liderou o bloco que arrematou a Brasil Telecom, operadora de telefonia que atua nas regiões Norte, Centro-Oeste e Sul. Mesmo com uma participação minoritária na sociedade que formou ao lado do Citigroup, dos fundos de pensão da Caixa, da Petrobras e do Banco do Brasil, e da Telecom Itália, foi Dantas quem assumiu o controle da empresa.   Em 1999, com a privatização da BrT, começou a disputa societária pelo controle da empresa- o que seria definida como 'a maior da história do Brasil'. A empresa italiana achava que os acordos da fundação da sociedade eram lesivos a seus interesses.   Em 2004,com o inícios das negociações da OI para a compra da Brasil Telecom, o grupo de Dantas foi acusado de contratar a Kroll para espionar a Telecom Itália, que também estava interessada nas negociações.   As investigações teriam extrapolado o mundo empresarial, atingindo figuras do governo federal. Na época, Dantas negou que tivesse pedido à Kroll a violação do sigilo telefônico de pessoas. Por meio do Oportunity, Dantas fazia a gestão dos recursos dos investidores que controlavam a BrT. Esses investidores detinham partes da empresa por meio de fundos do Citibank.   O banqueiro foi destituído do controle da empresa em setembro de 2005.A partir daí, começou uma disputa com o Citibank. Dantas usou o benefício do prêmio de 20% sobre a venda da empresa para a Oi.Com isso, recebeu 1 bilhão de reais. O Citibank, que de fato detinha o controle da empresa, perdeu o prêmio por não ter assegurado em contrato a sua posição.

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