Dantas diz não ter 'a menor dúvida' de que foi grampeado

O sócio-fundador do Grupo Opportunity, Daniel Dantas, afirmou hoje não ter "a menor dúvida" de que teve seus telefones grampeados durante a disputa societária da Brasil Telecom. "Tivemos uma nítida sensação que nossas iniciativas estavam sendo passadas aos adversários. E se a disputa já era difícil, com isso, tornava-se mais dramática", afirmou ele aos parlamentares da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Grampos, que investiga escutas telefônicas clandestinas. Segundo o banqueiro, em outras ocasiões ele teve a percepção de que já tinha sido grampeado. Como exemplo, disse que quando o consórcio liderado pelo Banco Opportunity negociava a compra da Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT), o preço teria sido antecipado aos concorrentes. Dantas afirmou que a suspeita era de que a Telecom Itália teria usado pessoas da Polícia Federal e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). De acordo com ele, essas pessoas tiveram acesso à correspondência do Opportunity. "Teriam invadido a nossa correspondência."O banqueiro disse que as denúncias que relatou no depoimento da CPI constam em um relatório feito pela procuradoria de Milão, na Itália. Porém, Dantas afirmou que não tem cópias do documento, uma vez que o processo tramita em segredo de Justiça. Parte deste relatório, de acordo com as informações de Daniel Dantas, foi vazado para a imprensa italiana.O banqueiro explicou ainda que os indícios de que estava sendo grampeado poderiam ser identificados pelos códigos e codinomes como as conversas se davam. A reunião da CPI foi suspensa temporariamente para que os deputados pudessem ir ao plenário participar da Ordem do Dia.

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