Dantas deve escapar de condenação, diz revista

A forte campanha que se faz na mídia brasileira contra o banqueiro Daniel Dantas se deve à necessidade dos políticos de arrumar dinheiro para suas campanhas eleitorais. A frase é do próprio banqueiro e faz parte de um longo perfil dele que aparece na nova edição da revista The Economist. Nessa campanha - o texto continua citando Dantas - "aqueles que se recusam a cooperar tornam-se alvos". As acusações da operação Satiagraha contra ele seriam parte dessa cruzada. "Se ele estiver certo, a imprensa brasileira está errada", afirma a revista. "Inocente ou culpado, parece cada dia mais claro que Dantas escapará da condenação - em parte, por causa do modo irregular como se conduziu a operação".O texto afirma que "a imprensa tentou conectar seu nome com todo grande escândalo dos últimos dez anos (...) Mas nenhuma das acusações foi provada." A pressão dos políticos contra ele aumentou, segundo disse ao repórter, após a posse do presidente Lula em 2003. E essa pressão "parece ter algo a ver com a queda de José Dirceu, o chefe da Casa Civil, que era visto como o elo entre Dantas e o governo".Recebido pelo banqueiro em seu escritório em São Paulo, exatamente no momento em que a Justiça bloqueava US$ 300 milhões de seus depósitos, o repórter narra o clima à sua volta: jornais com seu retrato pelas mesas e o clima "de uma fortaleza sob cerco". O perfil traz curiosidades sobre os hábitos pessoais do banqueiro. "Ele não tem casa de praia nem helicóptero ou um carro esportivo." Embora tenha uma fortuna avaliada em US$ 1 bilhão, seu apartamento "é decorado com posters ao invés de obras originais". A revista o compara ao recluso bilionário Warren Buffett: trabalha sempre, da manhã à noite "e sua vida pessoal fica a meio caminho entre o nada acontecer e o não existir".

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