Dantas chega para depor, mas advogado diz que ele não falará

Machado diz, entretanto, que existe a oportunidade de seu cliente resolver falar algo durante o interrogatório

Carolina Ruhman, da Agência Estado

07 de agosto de 2008 | 13h41

O sócio-fundador do Banco Opportunity, Daniel Dantas , chegou nesta quinta-feira, 7, à 6ª Vara Criminal da Justiça Federal, em São Paulo, para prestar depoimento ao juiz Fausto Martins De Sanctis. Entretanto, de acordo com seu advogado, Nélio Machado, Dantas vai utilizar seu direito de permanecer calado durante o interrogatório.  Veja Também: Entenda como funcionava o esquema criminoso As prisões de Daniel Dantas Questionado se seu cliente não queria "desabafar", como disse na última quarta-feira à imprensa, Machado respondeu: "A expressão "desabafar" é uma expressão minha diante de todas essas injustiças, diante de toda essa quadra persecutória". Ele reconheceu, entretanto, que existe a oportunidade de seu cliente resolver falar algo durante o interrogatório: "Ele tem liberdade de eventualmente divergir da defesa técnica". E acrescentou: "Será uma decisão da sensibilidade própria dele, mas eu acredito que ele não irá contra a orientação que eu lhe dei". O advogado afirmou que as fitas que gravaram o encontro entre Hugo Chicaroni, Humberto Braz e o delegado da Polícia Federal Victor Hugo Rodrigues Alves Pereira na ocasião da suposta tentativa de suborno ao delegado, são inaudíveis. Além disso, segundo ele, há imagens na televisão que não constam nos autos. O suposto suborno visaria retirar os nomes de Dantas e seus familiares das investigações da Operação Satiagraha. Para Machado, o processo está viciado. "Eu vou apresentar uma petição ao juiz onde eu reitero as várias imperfeições, as várias irregularidades", disse, e arrematou: "Eles têm o dever de arrumar essa forma de autuar o procedimento". Eu tenho o direito de ver os autos no original." E acrescentou: "Enquanto essa situação perdurar dessa maneira, meu cliente vai se abster". De acordo com o advogado, sua orientação para Dantas foi para que ele não responda às perguntas do juiz. Hugo Chicaroni também será interrogado hoje na 6ª Vara Criminal da Justiça Federal e também já chegou ao local. Críticas a Protógenes O advogado Nélio Machado, criticou o delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz. O delegado admitiu na CPI dos Grampos, na Câmara, que arapongas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) participaram da Operação Satiagraha, da PF, de maneira informal. "Ele usou a Abin de forma indevida, como se fosse uma ação entre amigos", criticou Machado. E emendou: "Protógenes se esquivou de todas as indagações." O advogado de Dantas falou com a imprensa em frente ao prédio da 6ª Vara Criminal da Justiça Federal, em São Paulo, e prometeu questionar Protógenes sobre suas atitudes. "Quando ele vier à 6ª Vara como testemunha arrolada pelo Ministério Público, indagarei sobre várias ilegalidades da investigação que ele comandou", disse Machado. "Todas essas imperfeições, pendências e arbitrariedades serão questionadas para que venham explicações plausíveis.

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