Dantas acusa Telecom Italia de fazer escutas para prejudicá-lo

À CPI dos Grampos, banqueiro negou contratação de empresa e disse que contrato foi com a Brasil Telecom

Cida Fontes, de O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2008 | 15h33

O sócio-fundador do banco Opportunity, Daniel Dantas , negou na CPI de Escutas Telefônicas, que tenha feito interceptação telefônica ilegal e que tenha contratado a empresa Kroll, na época da disputa pelo controle da Brasil Telecom. Ele disse que quem contratou a Kroll foi a Brasil Telecom e que o contrato com a empresa foi recomendado pelo Citibank. Segundo Dantas, quem fez escutas ilegais foi a Telecom Itália, que utilizou uma estrutura no Brasil para prejudicá-lo. A briga entre as empresas começou em 2000, com a disputa entre sócios da Brasil Telecom (BrT) - Grupo Opportunity e Telecom Itália (TI) - pelo controle da empresa.  Ao chegar, Dantas disse na comissão que não fará nenhuma exposição inicial e que responderá às perguntas dos parlamentares. Na entrada, Dantas disse aos jornalistas que estava tranqüilo.    Veja Também:'Não tenho menor dúvida de que fui grampeado', diz DantasEntenda como funcionava o esquema criminoso As prisões de Daniel DantasMinistro do STF manda soltar Braz, braço direito de DantasJuiz do caso Dantas nega ter autorizado grampo no STF Na semana passada, o delegado da Polícia Federal Élzio Vicente da Silva confirmou à CPI que a Kroll fazia escutas contra a Telecom Itália. Silva comandou a Operação Chacal. Também em depoimento na CPI na semana passada, o delegado Protógenes Queiroz, ex-coordenador da Operação Satiagraha, confirmou que o grupo de Daniel Dantas está sendo investigado pela prática de escuta telefônica ilegal, além de crimes financeiros, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, evasão de divisas e formação de quadrilha. Dantas foi preso duas vezes pela Polícia Federal no mês passado, ambas por causa do inquérito da Satiagraha. Ele conseguiu a liberdade graças a liminares concedidas pelo presidente do STF, Gilmar Mendes. As decisões geraram críticas de vários setores do Ministério Público, um embate com o juiz da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, Fausto Martins De Sanctis, que determinou as duas prisões, e um bate-boca com o ministro da Justiça, Tarso Genro. Entenda a briga O engenheiro e economista Daniel Dantas, de 54 anos, entrou para cena nacional durante a privatização do sistema Telebrás, em 1998, no governo Fernando Henrique Cardoso. Como dono do Banco Opportunity, liderou o bloco que arrematou a Brasil Telecom, operadora de telefonia que atua nas regiões Norte, Centro-Oeste e Sul. Mesmo com uma participação minoritária na sociedade que formou ao lado do Citigroup, dos fundos de pensão da Caixa, da Petrobras e do Banco do Brasil, e da Telecom Itália, Dantas assumiu o controle da empresa. Em 1999, começou a disputa societária que seria definida como 'a maior da história do Brasil'. A empresa italiana achava que os acordos da fundação da sociedade eram lesivos a seus interesses.Em 2004, a Brasil Telecom foi acusada de contratar a Kroll para espionar a Telecom Itália. As investigações teriam extrapolado o mundo empresarial, atingindo figuras do governo federal. Na época, Dantas negou que tivesse pedido à Kroll a violação do sigilo telefônico de pessoas. O banqueiro foi destituído do controle da empresa em setembro de 2005. 

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