Daniel Dantas espionou juízes paulistas, afirma PF

Entre os alvos estariam o juiz Fausto Martin De Sanctis, que decretou por duas vezes a prisão do banqueiro

Fausto Macedo, Marcelo Godoy e Rodrigo Pereira, de O Estado de S. Paulo,

12 de julho de 2008 | 16h38

O banqueiro Daniel Dantas é acusado pela Polícia Federal de ter contratado um coronel do exército israelense para espionar juízes federais da primeira instância de São Paulo. Entre os alvos estariam o juiz Fausto Martin De Sanctis, o mesmo que decretou por duas vezes a prisão do banqueiro e duas vezes teve a decisão derrubada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. O juiz foi alertado pelos policiais que preparavam a Operação Satiagraha. O grupo teria também monitorado os passos do delegado Protógenes Queiroz, que comanda as investigações.   Veja também:  Após habeas-corpus, Daniel Dantas deixa prisão em São Paulo Gilmar Mendes considera 'normal' reação dos juízes Delegados da PF criticam decisão do presidente do STF Opine sobre nova decisão que dá liberdade a Dantas  Íntegra da decisão assinada pelo presidente do STF  Entenda como funcionava o esquema criminoso  Veja as principais operações da PF desde 2003    O advogado Nélio Machado, que defende Dantas, negou a iniciativa e disse que a acusação é fruto da cabeça dos desafetos do banqueiro. O que sustenta a suspeita dos delegados federais é uma conversa telefônica entre um funcionário do Grupo Opportunity e a diretora jurídica do grupo, Danielle Silbergleid Ninnio. O diálogo ocorreu em 25 de maio, às 10h59, um mês depois de Dantas tomar conhecimento de que a PF preparava uma operação.   O funcionário pergunta qual o nome: "É Abner da Kroll?" Danielle responde que não, que é "Avner". Os agentes dizem que se trata do coronel da reserva do exército de Israel Avner Shemeh. Ex-funcionário da Kroll do Brasil, o militar foi acusado de espionar desafetos de Dantas e integrantes do governo Lula a mando do banqueiro, conforme apurado na Operação Chacal, em 2004. Ele está sendo processado na 5ª Vara Criminal Federal de São Paulo.   Ao saber da informação de que era um alvo do banqueiro, o juiz De Sanctis requisitou à PF que fizesse uma varredura em seu gabinete em busca de possíveis grampos ou escutas ambientais. Mas, segundo apurou o Estado, até sábado a diligência não havia sido executada. De Sanctis diz aos colegas de tribunal que, apesar disso, não se preocupa e costuma concluir suas conversas dizendo: "Confio em Deus."   Além dos juízes, agentes da PF produziram três relatórios nos quais acusam a suposta quadrilha liderada por Dantas de ter monitorado o delegado Protógenes. De acordo com relatório assinado pela delegada Karina Murakami Souza, da PF, os homens de Dantas passaram a seguir Protógenes, "especialmente em seus deslocamentos territoriais". A prova de que a suposta quadrilha estaria vigiando os passos da autoridade federal são áudios de conversas dos acusados e e-mails que os investigados trocaram nos dias que antecederam a operação.   Leia mais informações na edição de domingo de O Estado de S. Paulo

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