DANIEL AARÃO REIS

PROFESSOR DE HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DA UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE (UFF)

O Estado de S. Paulo

13 Abril 2015 | 22h43

Desde as manifestações de 2013, ficou evidente a hostilidade de parcelas da população ao sistema político e à insensibilidade dos políticos em relação às demandas das pessoas comuns. Com as reviravoltas e trapalhadas cometidas pelo governo neste início de mandato, abriram-se brechas – enormes – onde foram desaguar mais agressivamente as críticas oposicionistas de direita e de centro.

Mesmo nas esquerdas o descontentamento é grande, pelos mesmos motivos, mas com sinais trocados. As últimas manobras da presidente, delegando seus poderes de articulação política ao PMDB de Michel Temer e de direção da educação a Renato Janine Ribeiro, um homem de centro, restringiram seus espaços de governança, mas lhe deram fôlego – e tempo – para ensaiar uma recuperação.

Mas Dilma continuará sendo pressionada pelas direitas e pelas esquerdas. As dificuldades econômicas vindouras e outros fatores de instabilidade política vão provavelmente contribuir para ciclo de manifestações e de contramanifestações que conferirão vitalidade à democracia realmente existente no Brasil.

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