Dados indicam que mosquito da dengue teria sido contido

Resultados preliminares dos casos registrados em 2003 indicam que a política de controle do mosquito Aedes aegypti está conseguindo conter a dengue no País e deve evitar uma nova epidemia neste verão. As notificações de janeiro e fevereiro de 2002 superaram em mais de dez vezes as ocorridas nos dois primeiros meses deste ano - passaram de 281 mil casos para apenas 21 mil, segundo levantamento da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). O Rio, principal afetado pela doença, com 125 mil casos nos dois primeiros meses do ano passado, não deve repetir a tragédia do verão passado. Até agora, o Estado só registrou 1.198 doentes. São Paulo também apresenta redução significativa: 744 casos no início deste ano contra 8 mil no mesmo período do ano passado. Os dados ainda são preliminares porque o balanço de fevereiro ainda não está fechado, e os dados finais costumam demorar a chegar à Funasa. "Temos que relativizar as informações sobre fevereiro, mas é claro que o quadro deste ano é muito diferente. Não significa que podemos baixar a guarda, até porque a dengue é sensível a mudanças climáticas repentinas e ainda temos bastante calor pela frente", avalia Jarbas Barbosa, diretor do Centro de Controle Epidemiológico da Funasa. E diz: "Com certeza, a queda está relacionada com a antecipação das ações contra o mosquito que promovemos em todos os Estados a partir de julho passado". A redução de casos ocorre em quase todo o País, com exceção do Espírito Santo, que, apesar de ainda não ter alcançado a marca dos primeiros 60 dias do ano passado (8,9 mil), está próximo, com quase 6 mil casos. E, como o mês de fevereiro ainda não acabou, a Funasa espera que o Estado repita a epidemia do ano passado. Por isso, o órgão do Ministério da Saúde está intensificando as campanhas de combate ao mosquito e já preparou um plano que será colocado em prática a partir de segunda-feira. "A crise política que o Espírito Santo enfrentou no ano passado acabou atrasando a implantação do programa, fazendo com que os casos voltem a subir neste ano." Segundo Barbosa, as outras áreas consideradas de risco para a dengue, como o Rio e a Baixada Santista em São Paulo, têm apresentado resultados positivos em suas campanhas de redução dos focos do Aedes aegypti. No Rio, a única região que ainda preocupa é o norte do Estado, que tem registrado alguns casos de dengue hemorrágica. Em São Paulo, a Baixada Santista conseguiu reduzir bastante os riscos de epidemia. O mesmo ocorre na capital paulista, segundo Barbosa. "O município de São Paulo tem apresentado um trabalho consistente de luta contra o mosquito que só pode resultar em redução dos casos", elogia.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.