Dados do governo implicam oposição no caso sanguessuga

Um dia após a divulgação da nova lista de parlamentares acusados de envolvimento com a máfia dos sanguessugas, a maioria ligada aos partidos da base aliada, o governo federal contra-atacou com dados que comprometem também a oposição nas denúncias. A divulgação dos números foi feita pelos ministros Márcio Thomaz Bastos, da Justiça e Jorge Hage, da Controladoria Geral da União (CGU). Os dois negaram qualquer intuito de retaliação à oposição, ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ou ao candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, que acusam o governo Lula de responsabilidade pelos desmandos. "Não é para jogar a culpa no colo de ninguém, estamos só repondo a verdade dos fatos e impedindo a manipulação eleitoral", disse Bastos. "Dar nome de partidos de parlamentares e prefeitos envolvidos com a máfia é um dever de transparência", completou Hage.Os dados do governo se baseiam numa comparação feita pela CGU sobre um total de 3.048 compras de ambulâncias para municípios, no período de 2000 a 2005, com recursos de emendas de parlamentares. Desse total, 891 compras, ou quase 30% do total, foram direcionadas para a Planam, empresa que operava as fraudes. O estudo revela que 681 compras faturadas para a Planam, dois terços do total, ocorreram no governo Fernando Henrique e apenas 210 no governo Lula. Só em 2002, último ano do governo anterior, foram liberadas para a empresa 317 faturas de ambulância, 51,54% de todas as emendas aprovadas no período em todo o País para este item. O governo também levantou os partidos dos prefeitos envolvidos na compra das ambulância e a grande maioria é de oposição. O PSDB seria o primeiro do ranking, com 128 municípios governador por tucanos, seguido do PFL, com 107. O PT aparece na lista em nono lugar, com apenas 19 municípios. Dos partidos da base aliada, o mais envolvido é o PMDB, com 106 prefeituras sob seu comando.O governo também montou um ranking com os parlamentares que tiveram seis emendas ou mais aprovadas em favor da Planam. A lista é encabeçada por cinco governistas: Renildo Leal (PMDB), com 25 emendas, seguido de João Caldas (PL), com 23, Nilton Capixaba (PTB), com 22, Cabo Júlio (PMDB), com 21 e Paulo Baltazar (PSB), com 20. O ranking do governo inclui quatro parlamentares novos. Inclui também ex-parlamentares, um deles José Carlos Martinez, já falecido.

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