Márcio Alves/Agência O Globo - 17.10.2014
Márcio Alves/Agência O Globo - 17.10.2014

Daciolo contraria PSOL e protocola PEC sobre 'poder de Deus' na Constituição

Parlamentar, que vem causando várias polêmicas na própria sigla, ignorou orientação do partido e encaminhou proposta que pede que Carta Magna afirme que 'todo o poder emana de Deus'

Igor Giannasi, O Estado de S. Paulo

25 Março 2015 | 17h50

Atualizado às 22h38

São Paulo - Contrariando o seu partido, o deputado federal Cabo Daciolo (PSOL-RJ) protocolou nesta quarta-feira, 25, uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera a redação do parágrafo único do artigo 1.º da Constituição Federal para "declarar que todo o poder emana de Deus". O texto original diz que "todo poder emana do povo". 

Daciolo havia anunciado a ideia de apresentar a PEC 12/2015 da tribuna da Câmara dos Deputados no dia 10 de março. Sob pressão dos colegas de partido na Câmara, o PSOL havia anunciado em nota, no dia seguinte, que após reunião com o deputado, ele iria desistir de protocolar a proposta. Nesta nota, o PSOL reafirmava seu compromisso com o Estado laico (sem influência religiosa) e com a liberdade de crença. 

O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), líder do partido na Câmara, afirmou nesta quarta-feira, 25, que foi pego de "surpresa" pela iniciativa de Daciolo, já, que, segundo Alencar, ele havia se comprometido a sustar a medida após a reunião da legenda.  "Deus no coração tudo bem, eu mesmo procuro ter, sou cristão e tenho formação anglicana, mas Deus na Constituição, dessa forma, é completamente inadequado", disse Alencar.

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De acordo com o líder do PSOL na Câmara, será realizada nova reunião da executiva do partido com Daciolo nesta quinta-feira, 26, para discutir o assunto. Ele enfatiza que a iniciativa de protocolar a PEC 12/2015 foi feita à revelia da bancada e do partido. Segundo Alencar, "não há um espírito de revisão da postura" do deputado, "mas a gente está querendo dialogar". 

Daciolo já se envolveu em outras polêmicas. Recentemente, o deputado, que é bombeiro da reserva, defendeu os policiais militares envolvidos no desaparecimento do pedreiro Amarildo. Ele também defendeu que um militar de alta patente ocupasse o Ministério da Defesa. Em dezembro, na diplomação dos parlamentares fluminenses, Daciolo tirou foto ao lado do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), que já entrou em conflito com políticos psolistas. Na semana passada, a executiva estadual do PSOL no Rio pediu à direção nacional da legenda a expulsão do deputado.

O Estado procurou Daciolo em seu gabinete em Brasília. Até a conclusão desta reportagem, o deputado não havia retornado o contato.

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